29 março 2007

Ultimamente



Eu tenho andado assim; mais avoada que estressada, mais estressada que feliz, mais feliz que insensível, mais insensível que confusa e mais confusa que cansada.

Tudo ao mesmo tempo, uma confusão. E ainda bem que não dá tempo de pensar. Eu reclamo, faço drama até quando não quero, mas eu estou adorando isso de estar muito ocupada. Cansa, envelhece, mas é ótimo. A cada dia eu aprendo tanto que precisei comprar um diário maior e agora escrevo passo a passo de tudo o que aprendo na cozinha. Todos os pratos, vinhos que experimento, novos ingredientes, técnicas, etc. Quando meu estágio acabar, pego o diário, salteio com um pouco de cebola, passo no liquidifador, depois na peneira e injeto com uma seringa direto no meu sangue. Não quero esquecer de nada.

Agora no restaurante eu ganhei mais confiança. Larguei os aperitivos e fui promovida pros pratos principais. Isso sem falar nas sobremesas, que como o Junya e o Marco não gostam, e o novo chef não faz idéia do que tenha na geladeira da confeitaria, eu domino sozinha. Mando e desmando. Compro leite, creme, faço tudo que serve e faço minhas decorações de acordo com meu humor. Se estou muito triste, uso só chocolate e faço um prato introspectivo, passo a noite fazendo coisas assim, marrom. Fica lindo, romantico. Se estou alegrinha faço durante o dia uns molhos coloridos, de laranja ou kiwi. Faço uma festa durante o serviço. Florzinhas, sorrisos escondidos e se souber que um casal pediu um doce, dou um jeito de colocar um coração discreto em algum lugar. Ninguém além de mim entendem minhas decorações. E como o dono do restaurante adora novidade e confia em mim, ele simplesmente pega o pratão, sorri, me olha e vai pro salão entregar meus humores aos clientes.

Ele, o Giancarlo, é ótimo. Um tiozão, que tem a missão de continuar com a tradição do restaurante de mais de cem anos da família. A mãe e os irmãos cuidam do Hotel 4 estrelas que fica na rua de trás. Ele, que é sommelier, adora o que faz. Eu também adoraria se fosse ele. Todos os dias vai e volta da cantina, que fica em algum lugar até então misterioso pra mim, e a cada 'leva' traz vinhos de certa região da Itália e coloca na adega, à meia luz, cheia de termometro e controladores de humidade por todas as partes.

Sim! A novidade de ser promovida se deu também ao fato da coreana (ou a porquinha, como preferirem) ter chegado. Agora ela tem que se virar com o abridor de apetite do pessoal. Não é um trabalho fácil, mas é pouco reconhecido. ;)

Eu divido o quarto com ela, não tanto de bom grado, mas estou me acostumando. Até porque de uma forma ou de outra, eu me sinto como se tivesse A MINHA PRIMEIRA ESTAGIÁRIA!!! Imaginem.. uma estagiária que tem sua própria estagiária. Sou eu! Brincadeiras à parte, a Micaela só fala inglês, e nem uma palavra de italiano. Como na cozinha o que os meninos menos têm é paciência, eu sou sempre encarregada de ficar com a Micaela pra mim.

-Mili, hoje faz 2kg de marmelada de maçã.
-Sim, chef.
-And me chef, what do I do? -Pergunta a Micaela.
-Micaela.. today you... err... er.... hmm... Mili!!! Help Mili.

E eu dei carinhosamente 2kg de maçã pra Micaela descascar e tirar as sementes e o cabinho, enquanto vou fazer outras coisas. Foi assim no primeiro dia e assim é desde então. Ela chega na cozinha -sempre depois de mim- e já vem pra perto ver o serviço que a espera. No começo eu pegava pesado, e dava aqueles trabalhos repetitivos que nos dão calo nos dedos e no juízo, como cortar cebola, cenoura, salsão, fazer bolinhas de ganache ou ficar mexendo a marmelada no fogo. Mas agora eu dou trabalhos mais difíceis e a integro com o pessoal pra que ela me deixe um pouco sozinha de vez em quando. Hoje por exemplo, eu descasquei os 2kg de maçã enquanto a coloquei pra fazer o mousse de chocolate. O mousse virou manteiga, mas tudo bem. Chocolate é sempre chocolate.

E a última pessoa a chegar é sempre a qe recebe mais pressão. Como se já não bastasse o choque cultural, ainda tem que ser caloura e aguentar tudo que falam, que gritam, e nem sempre com razão. E o que falam e ela não entende? ô dó. Mas comigo foi assim também, e antes de mim também foi com o Junya. Lembro que assim que cheguei, ficava aterrorizada com os gritos que davam no pobre do Junya, que logo em seguida se transferiram pra mim. MILI NÃO!!! MIIILIIIII O QUE VOCÊ FEZ??? O QUE É ISSO??? MIIIIIIILIIIIII!!! Aff. Mas com o tempo os segredos da cozinha vão se revelando e os erros se tornam~mais raros. Já a Micaela, bissinha. Vamos ver se ela aguenta.

Isso me lembrou uma parte, já no fim, de Clube da Luta, quando o Tyler começa a fazer o exército pra colocar em ação o projeto caos. Ele primeiro fazia a pessoa sofrer e se humilhar na porta da casa, pra só depois deixá-la entrar. Era uma forma de teste de força, de estado mental, sei lá.

E essa semana algo inesperado e muito gostoso aconteceu. O dono do restaurante me pediu pra trabalhar na segunda, quando o chef estaria na escola dando aula e o japa na escola de italiano, e em troca disso, como forma de pagamento, ele pagaria minha viagem pra pegar minha mala na escola. :) A viagem custou 25 euros. Não é lá essas coisas e o fato dele pagar a viagem foi muito mais simbólico pra mim do que material. Eu teria que pagar do mesmo jeito pois precisava de minhas coisas todas perto de mim. Agora eu tenho todos os meus CD's e DVD's perto de mim. Um alívio pra mim e uma glória pro Junya e Micaela que agora ouvem noite após noite uma serenata particular de música brasileira. Nação Zumbi, Elis ou até Legião Urbana.. vale tudo pra fazê-los contentes. Adoro meus orientais de risada fácil.

E é isso. Pra quem só ler as frases em destaque, eu vou falar bem alto.


EU NÃO SEI QUANDO VOLTO.

Não sei mais colocar em destaque :(

Na foto: Meu ex chef -Sandro-, o Marco e meu atual chef -Marco-.

08 março 2007

É hoooje! - Meu novo chef! - OH VIDA! -3 em 1-

Aqui o 'Dia Internacional das Mulheres' virou simplesmente "La festa delle Donne", ou "Festa das Muié". Todos os bares estão aberto e até vi pessoas na rua hoje a noite. Recebi os parabéns de Amsterdã, de Florença, da cozinha e do e-mail, mas ninguém me deu rosas :(

Todo ano eu recebo rosas. Uma do Nordestão e uma do meu tio Arthunio, que ou sabendo que vou almoçar em sua casa me leva uma, ou pega uma do imenso buquet que leva pra Mary.


AH! MINTO! De Florença, veio uma mensagem com uma rosa desenhada. Menos mal. Agora posso dormir em paz :) Ufa. -suspiros-

E tem mais. Meu chef me ofereceu uma alcachofra, me lembrando que a mesma é uma flor. :)


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É realmente estranho como tanta coisa aconteceu em tão pouco tempo durante esse ano -e já estamos no mês três, dizem.. mas eu não creio-. Eu sinceramente preciso rever minha noção de TEMPO, pois quando me perguntam há quanto tempo estou aqui, eu não respondo de supetão e preciso parar, pensar um pouco e contar nos dedos pra conferir.

No meu primeiro estágio, que fiquei um mês, já lá pra terceira semana sentia que estava ali há meeeeses há fio. Envelheci lá, tenho certeza. Minha primeira marca de expressão ou meu primeiro cabelo branco -que será pintado ou arrancado imediatamente- será dedicado a esse mês, ao meu primeiro estágio e ao meu ex chef.

Já aqui, que estou há quase um mês, sinto que cheguei ontem. Que diferença!!! Trabalhar muito, mas na paz. Sempre ter um sorriso no rosto (uh que brega hein), poder rir dos erros e aprender muito mais.... ahhh que delicia. Eu ainda não falei muito dele, mas o meu chef é um querido, e em alguns dias vai embora pra Sardegna, deixando uma órfâ brasiliana em sua cozinha. Nunca alguém brigou comigo tão devagarzinho, se irritou tanto e continuou a botar fé em mim.

Enfim... ele merece um post exclusivo. Não vou simplesmente jogar meus pensamentos aqui sobre ele. Vou esperar uma inspiração e fazer bonito.


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Eu tenho saudade, mas nem tanto, do tempo que eu fazia drama e mal sabia o que estava por vir. Deveria ter salvado o drama pra agora. Eu trabalhava 4 horas por dia, sentadinha, vezes fazendo algo, vezes não. E quando vejo alguém que nos blogs da vida reclama que trabalha demais, que a vida é cansativa, que a rotina diária está de matar... ahhhhhhh como me dá vontade de colocar uma câmera em minha cabeça e mostrar o que faço a esse povo.

De verdade, eu nunca achei que seria capaz de trabalhar do jeito que trabalho agora. Mas ao menos eu não tenho tanto tempo pra pensar. O tempo que tenho uso mesmo pra dormir, ou viro um zumbi, queimo as mãos e a comida e tropeço nos tamancos. Por isso que dizem que na cozinha as pessoas não são muito normais. É desumano trabalhar 11 horas em média por dia, e isso se multiplica quando se trabalha sob estresse, com curtissimos prazos e EM PÉ! E quando se paga pra fazer isso? E quando se faz por prazer? Pois é... todos desconfiavam que tenho um pé na loucura, mas achando que só o pé não bastava, eu me joguei de cabeça e to aqui nadando, de costas e sorrindo pro sol.


Oxe! O que estou dizendo? Ah!


Agora lembrei da piada da Rosa e da Couve-flor. É assim;
Um dia, a rosa encontrou a couve-flor e disse: 'Que petulância, se chamar de flor! Veja sua pele áspera e a minha, lisa e sedosa. Veja seu cheiro desagradável e meu perfume, sensual e envolvente. Veja seu corpo grosseiro e o meu, delgado e elegante. Eu, sim, sou uma flor!'. E a couve-flor respondeu: 'É...mas ninguém te come...'
:) Eu sei que é velha -até porque comer rosa hoje em dia é chique bem- e meio insípida, mas eu preciso dizer que a rosa e o couve-flor não estão com nada. Quem tá com tudo é a alcachofra, que além de linda é gostosa e todo mundo come. Mas o que eu queria mesmo era ser grande.
*Foto dos fundos do restaurante.

07 março 2007

Um monstro dentro de mim

Há apenas 4 dias estou instalada definitivamente no cafofo europeu mais legal que eu já vi e já estou com manias estranhas, dessas que me fazem perder tempo e que pra nada servem além disso.
Com uma cama imensa e um aquecedor novinho, eu durmo demais.
Com tantos utensilios de cozinha e uma dispensa cheia, eu como nas horas erradas.
Com uma TV no quarto eu vi pela primeira vez o "Grande Fratello", a versão italiana do Big Brother. -Aqui não tem pra se americanizar. é tudo traduzidinho, e inclusive os filmes no cinema são dublados hein. depois falo melhor disso-.
Pois é.. o Grande Fratello daqui é meio confuso, com várias imagens ao mesmo na tela e uma edição péssima. Fiquei muito confusa o anjinho venceu a luta com o demônio dessa vez. Nada de assistir porcaria. Mas o meu lado obscuro prevaleceu em se tratando do programa novo que a Laura -equatoriana que vive aqui e trabalha comigo- me apresentou. Quando voltamos do cinema no domingo, ela só falava nesse tal programa, e já pelo nome eu achei muito do cafona e estava decidida a ir pra cama mais cedo ao invés de acompanhá-la na torcida em frente à TV. Sim, ela torce, grita, manda mensagem e disse que já chegou a chorar quando o seu preferido foi mandado embora. O seu preferido, eu explico o quê. É assim;
O programa se chama AMICI DI MARIA DI FILIPPO ... ai meus deuses. Traduzido fica algo tipo "Amigos da Maria di Filippo". A Maria é uma apresentadora loira, meio Gabi e que tem a lingua presa. No programa que leva o nome da tia oxigenada, artistas de várias áreas disputam provas todos os domingos, e passam o resto da semana ensaiando algo que é de sua competência ou não. Tem atores, dançarinos, e principalmente cantores, cada um representando um dos dois grupos da 'casa'. Cada semana tem votação dos professores e piadistas que formam o juri e também do publico -pessoas como a Laura-. Aí no domingo tem a papagaiada das provas e hooooras de exibição. Que coisa mais VICIANTE!!!!!!!!
Eu ássisti no domingo e quando menos percebi estava lá mandando mensagem com a Laura e torcendo junto pro dançarino espanhol, que era o único moreninho e eu simpatizei demais com ele. Terminei me deixando levar.
Ontem descobri que todas as tardes o programa é exibido com os ensaios dos garotos e pronto!!! Está criado o monstro dentro de mim. Uma, das minhas únicas duas horas de descanso do dia é agora destinada aos Amigos da Maria di Filippo. Assisto os ensaios e falo sozinha em frente à TV, na esperança de passar força pro meu queridinho, que está pra sair, já que todos têm medo dele ir pra final uma vez que ele é o melhor!!! :)
Ainda bem que já está no final dessa temporada -que já é bem a quinta, tendo uma por ano-.
Eu agora lembrei de quando o Madson se mudou lá pra casa. Eu nem imaginava quem diabos era Nazaré e não tinha idéia de quem estava no Big Brother aquele ano. Mas eu lembro que no ultimo capitulo da novela eu comprei pipoca e chocolates. Madson tinha criado o monstro, e agora ele está de volta.
Tisc

Eu procurei demais o site, pra vocês verem ao menos uma foto da tia, mas só achei criticas negativas do programa.

05 março 2007

É segredo

Estou no apartamento do Marco, enquanto ele tirou merecidas férias e está agora em Amsterdã, melhor que eu. Não sei se me ofereci pra cuidar de sua cama super ultra king ou se ele me pediu pra ficar de olho nos seus inquilinos e desligar o aquecedor todos os dias, mas cá estou. Meio que de férias da minha casa sem máquina de lavar e utensilios de cozinha. Estou vivendo pela primeira vez em uma casa normal, com TV e panelas. E eu aproveito tudinho.
Ontem que foi meu dia de descanso eu cozinhei. Hoje que por meia jornada não trabalho, eu cozinhei. Alimentei o casal de equatorianos que vivem aqui e que também trabalham comigo, a Laura e o Alex, que apesar da boa forma, cooooomem...
O que mais gosto é quando eles fecham os olhinhos se gostam muito da refeição e ao invés de simplesmente meterem a comida goela abaixo, como fazem sempre, eles começam a mastrigar devagar, procurando sentir e adivinhar todos os sabores novos que estão aproveitando. É lindo. Eu só faço olhar... nem fome sinto.
Hoje fiz um risotto de coelho pro almoço. Acordei mais cedo do que acordaria pra trabalhar pra dar tempo de fazer tudo direitinho. Depois de uma pequena tragédia na cozinha -não conto!!!-, nasceu meu risotto. Lindo, cremoso, e com todos os pre-requisitos pra ser aceito num concurso mundial de risottagem.
A hora tão esperada chegou. Eles chegaram em casa do trabalho e lá estava o risotto, terminando de amanteigar e fumaçando, pronto pra cumprir seu papel no mundo. (afff.. como to dramatica. é a lua)
Na mesa, com olhinhos fechados, mastigando devagar, a Laura pergunta;
-Mili, o que tem aqui? Funghi?
-Não, mulher.
E ela fecha de novo os olhinhos e o Alex também tenta adivinhar o que é. Eu digo que é coelho, e eles continuam tentando adivinhar tudo que tem ali dentro.
-Mili, o que tem aqui?
-Ah.. é segredo.
-Por que todo cozinheiro é assim? A gente fica na curiosidade de saber como se faz, e vocês só dizem que é segredo, que é segredo.
Então fiz um mapa mental de todos os passos que segui pra preparar tal prato e descobri porque dizemos que é segredo. Porque se eu começar:
-Olha, eu comecei com o caldo, ontem preparei com tantos legumes e deixei fervendo por horas. Também tem o fundo escuro que fiz as custas de tantas horas de forno e de fogo. Ai tem a cebolinha e o alho, depois torrei o arroz pra ele se proteger depois do caldo. Mas antes do arroz comecei com o coelho, que passei rápido na chapa com alho, canela sal e pimenta, só pra ele pegar o gostinho. Sim.. e o arroz.. aí eu torrei o arroz um pouco e fui colocando aos poucos o caldo que tinha feito ontem. Depois que o arroz me disse "passei da metade" eu coloquei o coelho depois do susto e continuei sempre ali, controlando o caldo e mexendo o arroz. Aí lá pras tantas, quando o arroz dizze "to quase lá. to chegando" eu coloquei a manteiga e não mexi mais por uns minutinhos. Aí coloquei também o fundo escuro que passei na chapa do coelho com vinho do porto. Aí dá esse adocicadinho que combina otimo com a canela que tinha colocado no coelho. Sim e no fim vai um Timo -como se diz em portugues? mas só no fim."

E é por isso que eu só digo: É segredo! Porque todo esse bla bla bla não faz sentido pra todo mundo e eu aprendi a custo de alguma -mesmo que pouca- experiencia e estudo. Eu sei que pra ficar perfeito o arroz precisa de todas as etapas, que se ficar um minuto a mais no fogo, o sabor muda e não fica tão bom, etc. Agora se você não acompanhou toda a minha narrativa, fecha os olhinhos e sinta. :) Isso já me faz um bem danado.

04 março 2007

Chef em formação


Sou eu!
Depois escrevo :) Mas só pra mostrar o que ando aprontando.
Mosaico de frutos do mar com salsa verde picantxe.

01 março 2007

San Remo

Estou na Itália, a menos de 2 horas de San Remo, exatamente na época do festival e a minha vida de camelo não me deixa dar uma voltinha perto das celebridades italianas. E é só nisso que se fala por aqui agora, mesmo que mal.

Agora Cannes, que fica aqui pertinho ... ahhhh... isso eu não perco nem que o Berlusconi venha comer no restaurante. Vou desde já começar a cavar o buraco no chão com um parafuso e espero cavar um tunel até maio. Planejarei tudo direitinho. E vocês aí, assistam o festival pela TV pra ver se me acham. Talvez eu prepare uma cartolina pra levantar por lá:

"Que Globo que nada, eu tô é em Cannes"