30 novembro 2006


Ahhhh os vinhos italianos. (suspiros)

Eu não sei se sofri algum tipo de lavagem cerebral, mas os vinhos da França são uó e vinho bom mesmo é vinho italiano! Os franceses já foram bons nisso, mas foram inventar de ensinar pros italianos e terminaram ficando pra trás.

Eu que na minha época de "boy" defendia o Galiotto com unhas e dentes, agora olho pra trás e peço perdão olhando pro meu rosto juvenil. Bacco, perdão. Ela não sabe o que diz.

Desde que cheguei aqui a escola enfia vinho pra dentro de nossas gargantas cansadas de porcaria. Todas as noites tem vinho no jantar e vinho bom. Isso porque a escola tem bons patrocinadores. Comemos e bebemos do bom e do melhor e eu gostaria de agradecer nesse momento ao Rizzo Gallo, Café Lavazza, Grana Padano e ao vinho Barbera d'Asti. Grazie! :) Pois bem, depois de um mês nessa espécie de lavagem do nosso corpo, começamos finalmente as aulas de enologia e em duas semanas entramos na enogastronomia italiana.

O meu professor -Giancarlo Lercara- é um monstrinho. Até a semana passada ele me parecia só uma figura estranha com uma barba engraçada e que não gostava de pessoas e preferia ficar trancado em sua enoteca com seus vinhos. Certo ou errado, o cara é um gênio. Ao entrar na sala ele percebe todos os cheiros e ai de quem infectar o ambiente com perfume. Estamos proibidos de usar qualquer coisa com cheiro, comer chocolate, tomar café e chupar chiclete de menta. Alguém esqueceu disso e ele sentiu na primeira mastigada do chiclete. Pegue! Mas falando mais do professor, sei que ele foi, há alguns anos, considerado o melhor sommelier da Itália. Ele também nos deu aula de serviço de sala e conseqüentemente de elegância. U-lala!

Durante as aulas nós provamos vinhos e mais vinhos. Pela manhã os brancos e a tarde os tintos e hoje os espumantes. Fazemos exame visual, olfativo e gustativo e depois vemos a harmonia de tudo junto. Damos nome, nota e opiniões e no fim... adivinha. NINGUÉM fica de bode. É tudo tão pouquinho e tão rápido que nem dá tempo de provarmos o melhor. Ops. :) Pode parecer só divertido, mas a coisa é muito complicada também. E o senhor Lercara não aceita nada menor que a excelência. Ui! Pra quem ainda não viu foto do danado, vai no meu flog e me diz se tem como não . Por enquanto não vou colocar aqui pois estou indo ao leito. :) - http://www.fotolog.com/emilha -

Na foto de cima, eu e Gayla na nossa bancada. Na de baixo, a minha bancada com minhas coisas e uns vinhozinhos de leve.

27 novembro 2006

Trufa e Vinho


Esse fim de semana decidimos ser econômicas e alugamos um carro. Aqui isso é muito mais barato que andar de trem. O mais barato mesmo é ficar de o

lho nas promoções das companhias aéreas e comprar os tickets por 1 centavo + taxas o que sai por uns 9 euros tudo. Como não tenho muita paciência de checar os sites todos os dias, e também não tenho muito tempo por enquanto pra viajar, vai a opção média na questão economia.

Dirigir aqui na Itália foi uma experiência deliciosa e meio chocante. A cada par de minuto um carrão me ultrapassava parecendo um foguete e me deixava comendo poeira. Isso quando não vinha um na contra-mão fazendo uma ultrapassagem e eu fechava os olhos e rezava pra dar tempo de todos sairmos dali com vida. Dramas a parte, esses carros são velozes e as estradas são ótimas e super bem sinalizadas sendo assim um parque de diversões pros italianos. Eles amam carro mais do que brasileiro ama bunda ou futebol. Não sei ainda se eles gostam mais de vinho, de carro ou de comer, mas sei que também gostam muito de futebol e que não têm bunda.

Como americano só sabe dirigir carrinho automático que parece de brinquedo, eu fui selecionada pra guiar a machina -carro, em italiano- :P e fomos conhecer coisas por perto como Alba (que é famosa pelas trufas brancas e negras) e Barolo (conhecida pelos vinhos q tem esse mesmo nome). Comemos pra caramba e tomamos uns vinhos bons pra dedéu. A estrada é linda e não vi nenhum caminhão. Percorremos uns 500km e NENHUM caminhãozinho. Isso sim!

E as trufas? Hmmm.. .têm um cheiro estranho. Mas o vinho é bommmmm.

24 novembro 2006

Tá bom mas tá gostoso

Tudo aqui na Itália é muito diferente. A muzzarela é branca e a manteiga também. Quando o dia está cinzento o tempo está agradável e quando faz um sol bonito mal piso na rua e meu nariz já tá vermelho e saio que nem um dragão soltando fumaça pela boca.
Se um cara na rua está vestindo plumas e andando de tamanco, é porque é muito macho e também usar calça apertadinha é sinal de masculinidade.

Agora uma coisa que eu não entendo é a falta de gosto -leia-se sal- na comida. Essa semana tivemos um chef convidado pra dar o módulo de risotto e quando ele provou um de meus pratos ele reclamou do sal. Tudo bem, eu sei que tenho a mão pesada pro sal, mas já melhorei muito quanto a isso e ainda vou melhorar mais. Quandoi foi pra ele provar o meu segundo prato, ele falou que estava só um pouco salgado, que estava bom daquele jeito, mas tinha um problema: estava muito gostoso. Isso ele não falou querendo elogiar não. Ele reclamou mesmo. "Emilia aqui você quase acertou o sal, passou um pouco do que acho que é necessário. O problema é que com essa quantidade de sal o prato fica muito gostoso."

Oxe! Vai entender. Esse negócio de viver numa cultura que não seja a nossa é muito complicado.

20 novembro 2006

Risotto



risotto.. naum arroz papado..

Por Filipe

O dia todinho de Risotto. Djilícia!

O primeiro foi o meu favorito. A cor é linda olhem. É o Risotto Nero, que tem gosto de praia. O segundo é o Risotto de funghi que é ótimo também. O terceiro é o mais tradicional, Risotto a Parmegiana e o quarto a torta doce de arroz com um creminho de frutas vermelhas em cima. Hmmmmmmmmm..

19 novembro 2006

O Mar

Me deu muita saudade de casa nesse fim de semana. Decidimos então, eu e Filipe, sairmos pra ver o mar. Pouco mais de duas horas de viagem e lá estávamos nós: na Ligúria em uma cidade chamada Camogli. Senti o gostinho do mar e tomei até picolé na praia. Tava um friozinho gostoso e ventava muito. O mais impressionante foi ver o sol se pondo no horizonte. No mar. Indescritível. E tome foto!

A cidadezinha é bem pequena e muito linda. As pessoas são ótimas, simpáticas e felizes. Tem muito casalzinho andando pelas ruas românticas da cidade e olhando a paisagem. Os viajantes solitários que nem passem por lá pois vão ficar deprimidos.

Pela primeira vez eu vi a Itália como eu imaginava que fosse. Pessoas saudáveis, felizes e educadas saindo nas ruas e rindo a toa, brincando com as crianças e comendo pizza.

Pela primeira vez também eu senti que moraria em um lugar que não fosse minha terra e ficaria quase satisfeita.

Na foto comigo é o Filipe. Apesar de não colocar foto dele, ele está sempre comigo. O problema é que viajamos só os dois e ou tiro foto dele, ou ele de mim.

18 novembro 2006

mais aula


Aula de azeite extra-virgem de oliva. Depois aula de pasta. Delicia!

Aqui é um macarrãozinho com nero di sepia. Coisa mais linda!!!


Aqui os azeites que degustamos. Muito bom. Mais cheirosos que gostosos, em seu estado puro. Dá vontade de passar atrás da orelha e sair cheirando a azeite. Aprendemos todas as diquinhas que aqui são registradas por lei na hora de degustar um azeite. O copo precisa ser azul, de tal tamanho, tal expessura, tal material que o azeite chegue do jeito certinho na boca. Tem que botar o azeite pra dentro da gargante, depois cuspir, depois fazer barulho na boca... é uma novela. Eu quero só ver na aula de vinho. Deve ser uma novela maior ainda. Õu melhor... pra não parecer tão insensível, vou falar diferente. Deve ser um RITUAL diferente. Tudo tem sua razão, e o danado do azeite fica mesmo mais gostoso depois de aquecido na mão, balançado um bucadinho, molhado na saliva e com a lua no quadrante 4 com o sol em mercúrio e passando pelo signo de escorpião. Ops.



Fazendo pasta, não aguentei. Fiz uns pentelhinhos e superdesenvolvi o buço. (Irving uó) Pasta, pasta e mais pasta. Dizem que não engorda e que depende do molho. Eu prefiro não arriscar. Mas mesmo sem querer e sem perceber, depois das aulas estamos todos de bucho cheio. Todos grávidos de fetos alimentares -aff- ainda vamos almoçar e/ou jantar. ê lê lê. Ainda bem que temos a colina pra subir e balancear as calorias.

Aqui na última foto dá pra perceber uns sujinhos dentro de minha unha. Mas é mancha de Nero di Sepia, que usei pra fazer aquele macarrão preto ali em cima. Todo mundo olha pras minhas mãos com nojo, achando que sou imunda. Deixe estar...

17 novembro 2006


Na foto, eu em uma das salas de aula. Quando a aula não é prática, temos aula ou na enoteca (Hmmmm) ou nessa sala da foto, que é a Aula Magna onde o chef vai lá faz as receitinhas e assistimos tudo ou olhando pra ele ou olhando pra TV ou olhando pro telão. Eu estava testando o sistema enquanto alguém registrava o momento. Olha aí.. três de mim.



E hoje eu estava mandando e-mail pra Sérgio e de repente me encontrei sem ter o que falar. Ele me veio com as novidades do calor de Recife e eu não tinha nada tão interessante pra mandar de volta. Mas aí parei pra pensar um pouco e comecei a escrever, contando de todas as intrigas já existentes na turma e tudo que causamos na escola, na cidade e até nas regiões vizinhas.
É incrível como em menos de 3 semanas já brigamos, fizemos as pazes, juramos ódio eterno e no outro dia já nos amamos de novo.
Somos 11 -5 americanos, 2 brasileiros, 2 mexicanas macheiras, 1 canadense e 1 italiano-, como já falei. Em 3 semanas já nos conhecemos o bastante pra saber o calo de cada um e também em quem podemos confiar ou não. Talvez -quase certeza, na verdade- toda a nossa idéia disso também mude. Em quem eu confio agora já terá contado todos os meus pontos fracos e meus medos pra outras pessoas, que passarão a me olhar com outros olhos a partir de então.
Romances, brigas, juras, confidências, mau-olhado, bebedeiras, tristezas compartilhadas... de tudo um pouco. E no meio muita FOFOCAGI (by Gabi né?). Fofoca é FODA! E pense num povo fofoqueiro. Um pouco de queijo a mais no seu prato e no outro dia todos comentam. Voltar tarde pra casa é diversão alheia. A minha frase preferida é "Get a life" ... hehe. Muito últil e marcante.

Estava conversando com a dona da única loja de roupa da cidade. Ela é ótima. Já me apresentou a mãe, a amiga e me chamou pra dançar por esses dias -povo mais receptivo né. acho ótimo- . Ela disse, eu concordei, que somos uns injustiçados morando em um lugar ilhado sem ter um meio de transporte próprio da escola. E é mesmo! Se eu contar ninguém acredita no quanto eu estou isolada nesse lugar. Olhando as mesmas caras todos os dias e convivenos com todas as fases dessa galera estranha.

E outra coisa que aprendi. È mais fácil fazer amigos quando se tem um inimigo em comum.

15 novembro 2006

Café e Queijo

A vida aqui não é mole não. Como as pessoas são responsáveis, educadas, pontuais e um pouquinho frescurentas, eu não posso ser diferente. Um minuto de atraso na aula rende cara feia do Chef o dia inteiro e isso não é bom pra quem tem muitas dúvidas como eu. Quarto bagunçado nem pensar. Ou então a senhora que limpa os quartos nem chega perto pra fazer sua cama e trocar suas toalhas e lençóis.
Duas faltas no curso são motivos de expulsão e nada de devolver dinheiro. Assinamos termos e mais termos de responsabilidade quanto às regras da escola. Farda limpa e engomada, postura na frente das outras pessoas, tirar o polegar do prato, não mostrar o cofrinho... e tantas outras regrinhas de etiqueta que precisamos seguir.
Falo isso agora porque andam dizendo por aí que eu só vivo de farra aqui. Antes fosse. Eu acordo todos os dias às 8h da manhã (ou mais cedo quando precisa) e só volto pra casa depois das 20h. Na quinta-feira já subo a ladeira como se fosse quarta-feira e na sexta eu sou levada até o castelo por entidades superiores do bem que me seguram também durante o dia inteiro que passo geralmente de pé.
Eu só não coloco foto das aulas porque ... er... não sei porque. Porque eu esqueço e sempre tenho tanta coisa pra falar que acabo falando só da diversão. Pois bemmmmmmmm..... Agora eu vou falar só de culinária italiana e vocês vão ter que me engolir.

Essa semana fiz duas aulas de campo, uma pra a Lavazza, que produz café e outra pra uma produtora do queijo Grana Padano. Pra quem tiver interesse, leia o resto, caso contrário pode pular essa parte.

Na Itália a tradição do café expresso é levada a sério. Eles tem a patente do bicho e não largam por nada e tem muito orgulho disso, claro. No Brasil o café expresso é muito conhecido, mas fora do Brasil é mais conhecido ainda, já que também temos nosso cafezinho gostoso, diferente da maioria dos países afora. O café Lavazza -isso não é propaganda. é informação- é a maior empresa que produz apenas café na Itália.
Ouvimos toda a ladainha da história da fábrica e também coisas interessantes sobre o café. Foi quando descobri que a Itália não produz um grão sequer de café. E pior, eles importam a maioria dos grãos do Brasil. Ou seja, uma das coisas que torna a Itália mais famosa, vem do Brasil. Peguei todas as embalagens e não achei nenhum B junto de R.. nada de Brasil, Brasile, Brazil. Niente! Cade os créditos rapaz? Ô senhor que vende café.. bora pedir os créditos pra esse povo. Depois do treinamento fui bater um lero com o senhor treinador, e ele falou que a Itália não produz os grãos, mas importa, seleciona, mistura a outros grãos e torra e por isso na embalagem consta "café expressoa italiano". AHAN!!!! Vai contar história pra boi dormir, vai. Que má administração de nosso café hein. Enfim.. aprendi a fazer café expresso com a pressão disso e daquilo ideal, temperatura, tempo, perfeita densidade da espuma, xícara ideal e todo o bla bla bla. E o capuccino estranho também tá na mão. Sem canela, mas vai assim mesmo porque eles tem o registro né. Vou dizer que é ruim, forte demais e amargo? Eu não. Eu respeito a tradição.

Já a empresa que produz o queijo Grana Padano... hummmm. Delicia.

Antes de falar do queijo, vou contar como funciona o registro, que é muito rígido, dos produtos típicos italianos. Todos têm um registro e se não são produzidos no lugar de origem de registro, pela fábrica de origem ou com autorização da mesma e seguindo todas as normas pra produção do produto, eles não são considerados como tais. Por exemplo a mussarela de búfala é produzida em uma cidadezinha da região Emilia, e qualquer queijo parecido com a mussarela mas não seja produzida lá, não ganha o selo e não é considerada como este queijo. Isso acontece também com todos os vinhos -que tem o D.O.C (denominação de origem controlada)- e com o azeite balsâmico. Com os queijos o registro é o D.O.P. (denominação de origem protegida). Queijo Parmeggiano por exemplo só existe um, produzido perto do rio pó, como o Grana Padano. Mas só um produtor tem a patente e pode dizer que o queijo dele é Parmeggiano. O resto é imitação.

Sabendo disso, vamos ao Grana Padano, que também é o que chamamos no Brasil de "Parmesão". Casca dura, sabor frutado, bota em cima do macarrão.. essas coisas. É super tradicional aqui, e salgado. O preço, pois o sabor é meio adocicado. A visita a fábrica foi ótima. O senhor produtor de queijo é super simples e como a maioria dos italianos, ele ama o que faz. O que dá mais sabor ainda ao queijo.
O Grana Padano é produzido sem química e quase totalmente de forma manual. Basicamente se mistura 1.200 litros de leite e dali saem duas rodas de queijo dessas da foto. As rodas secam, salgam e envelhecem por pelo menos 1 ano e o processo total dura uns 16 meses. Mas os queijos do mercado são sempre mais velhos que isso. No meio de cada etapa vem um selo, uma inspeção, um carimbo, uma marca e no fim a roda tá toda tatuada e com todas as garantias possíveis. No fim, antes de abrir o queijo, ainda é feita uma ultima inspeção quanto ao aroma e densidade do queijo. Com martelinho e agulhinha especiais, claro. Enquanto estávamos lá, abrimos uma roda que tinha mais de 2 anos. Pedacinhos de paraíso. nham.

13 novembro 2006

Morar no Brasil é uma merda mas é Legal. Morar no exterior é legal mas é uma Merda

Muito entediados da vida e sem saco pra ficar mais um fim de semana em Costigliole d'Asti, eu e Filipe -que tá fazendo estágio lá na escola e já já vai embora de volta pro Brasil- decidimos ver montanha. Não fizemos planos, não sabíamos de hotel, de albergue, de comida, de dinheiro, de passagens, de nada. Mas nos danamos pro Vale d'Aosta, que fica arrudiado de montanhas e faz fronteira com a Suíça e a França, nos dando muitas opções. Ficamos logo num hotel muito do bonzinho e em conta que encontramos no início da cidade, quando me dei conta de que eu precisava urgente achar uma farmácia. Filipe quase gemia de fome, queria parar em cada restaurante e bar que via, queria procurar isso, comprar aquilo, mas eu PRECISAVA encontrar alguma farmácia aberta. Passava das 20h e tudo já estava fechado.. a cidade também já parecia meio morta. Andamos e todas as farmácias que encontrávamos já estava fechada. Até que uma boa senhora em um restaurante que entramos pra pedir informação nos falou que a "Farmácia de turno" era uma láááá longe e que era melhor eu ir de carro. Que nada, moça. Eu subo colina todos os dias e andar 4km num plano, sem ladeiras, pra mim num é mais tanto sacrifício. Eu preciso é achar logo essa bendita farmácia. Andamos, andamos, andamosssss.. achamos farmácias fechadas, erradas, comemos pizza e pouco antes das 22h achamos a tão sonhada farmácia. Detalhe que as 22h até essa que é de turno ia fechar e depois disso eu teria que ligar pro dono da farmácia pra ele ir lá abrir o estabelecimento. :P Eu dou é graças aos céus pelo Nordestão 24h tão pertinho de casa e pelo Disk entrega da Farmácia Globo. Aí eu lembro do que Filipe me disse esses dias, que o pai dele disse que parece que Tom Jobim disse. "Morar no Brasil é uma merda, mas é legal. Morar no exterior é legal mas é uma merda" e agora eu quero uma camiseta com isso escrito em letras garrafais.

Pois bem.. voltando ao hotel, eu estava ansiosa pra ouvir alguém falar "Maux" com um sotaque original. Todo mundo na cidade fala francês e o italiano deles é meio estranho até. Quando o tio foi me devolver o passaporte, me olhou e perguntou: "Emilia SILVA??? BRASILIANA??? OHHH.. BELLA". Grrr.... que coisa! E o Maux? Que nada. :( Eu sou é Silva mermo! Com uma Vodka polonesa comprada, não fizemos muita coisa além de descansar e tomar a Vodkinha, que tinha cheiro de perfume, com Redbull. Quando foi de manhã, logo da janela vejo uns Alpes que pelas minhas contas são Suíços já que estávamos na fronteira bem fronteirinha mesmo. Não era viável pagar 15 euros pra ir pra Suíça e perder tempo então fomos conhecer o Vale d'Aosta mesmo e depois pensar no que fazer. Vimos ruínas de um teatro romano e outros monumentos mais, igrejinhas, sinos grandes, gente bonita, gente linda, gente falando francês, um bolo gigante, uma casa de chocolate, muuuuuuuuitas crianças na rua, gente linda, muuuuuuuuuuuuuuuuuito cachorro na rua e também um povo bemmm bonito. Fui apresentada ao Kebab's -valeu, Chris-, um fast food turco -e não indiano como eu tinha dito-, que me fez arrotar o dia inteiro... e só assim eu não precisei comer mais nada pois sempre sentia o gostinho (podem falar éca agora). Quando cansamos de tanta gente bonita, cachorro, ruínas e crianças, nos mandamos em direção à fronteira da França, onde fica o Mont Blanc ou Monte Bianco no lado italiano. Tudo já estava numa mistureba tão grande que eu nem sabia mais o que era o que. Placas em italiano, outras em francês... ahhhh tanto faz.

Chegando lá em Courmayeur, vimos o Mont Blanc, tiramos as devidas fotos e ficamos andando pela cidade. Não tinha muita coisa pra se fazer além de fazer compras mas as lojas eram absurdamente caras. Pra não sair de lá dando prejuízo pra cidade, comprei duas bananas por 1 euro. Filipe não parava de falar nos carros -e que carros- ... "esse aqui custa 500mil reais mas blindado custa 1milhão e quinhentos. aquele ali nem existe no Brasil. olha o painel desse aqui parece um avião. e bla bla bla..." eu tirei muita foto de carro porque todos eram realmente lindos e eu não sei quando vou ver aquilo de novo. Todo mundo lá tinha cara de modelo e dirigiam carrões. Ou seja: VAMO SIMBORA! As estações de ski ainda estão fechadas nessa parte e o tédio bateu rápido.

Ao contrário do que pensávamos, não fez muito frio e o povo foi bem receptivo. Tudo deu certo, conhecemos coisas e pessoas novas, rimos pra chuchu e ainda pegamos um solzinho na grama. Chamamos o povo de brega sem ninguém entender e no fim da viagem, já em Asti -onde fazia um frio danado- eu fui tomar um chocolate quente e na depois de falar apenas "Buonasera, una ciocolatta calda per favore" a moça olhou pra mim, abriu um sorrisão e falou "tu é brasileira né". Mas piiiia. E eu perguntei logo "e tu é do Recife né não" :) Que coisa booooa. Ouvir esse sotaquinho lindo aqui nas brenhas. :) ow ow ow... owwwwwwwwwwwwwwww. A moça muito simpática me fez uma mulher super feliz hj a noite só pq depois de trêix anuix aqui ela não ixqueceu o sotaque pernambucano.

Agora eu vou dormir que amanhã a realidade do castelo me espera lá em cima de tudo às 8h da manhã.

ê lê lê

07 novembro 2006


Sem emoções maiores. É assim que tem sido a vida aqui no interior. O maior acontecimento está sendo minhas mãos estragadas, queimadas e os pés calejados. Não que eu esteja no sertão do Nordeste tendo que carpinar pra sustentar meus filhos, mas que eu to cansada eu to visse. E o frio também tá pegando. Semana passada fez -3 e eu fiquei doidja!

Ontem saímos pra um Happy Hour depois do lavoro e conhecemos o prefeito daqui, que nem é chamado de prefeito, pq aqui nem chega a ser uma cidade. Ele é o Síndico. Estava muito bem sentado do lado de fora de um bar, fumando um charuto e tomando um drink enquanto conversava com um amigo. Isso sim que é vida.



E aí a foto nova. Eu com minha dolma nova da Itália! -fazendo pose- EEEE Mas com casaco por cima por causa do frio. Sò que dá pra ver os detalhes ali na gola em verde e vermelho. Cores que me lembram pizza margherita. Hmm

02 novembro 2006

Essa braboleta estava voando aqui no jardim de casa. O dia estava bonito e a luz boa também. :)

Alii.. aquilo ali no fundo é a Cascina... onde eu moro. Fui nessa pracinha aí tirar uma fotos das flores bonitas que tem lá e descobri que é uma pracinha feita para louvar os mortos da cidade. Aí tem um lugar pra colocar os papéis com homenagens e avisos de missa.. essas coisas. Só que alguém colocou na metade desse mural uma propaganda de um StripClub que tem numa cidade vizinha. ê lê lê

Aqui um pedaço da praça e lá no fundo o meu quarto. Se vcs clicarem na foto pra ela aparecer grande vai dar pra ver bem direitinho. Minha porta p/ a varanda é a única totalmente aberta e com um biringuelo pendurado.

01 novembro 2006

As Americaninhas parte II

Mais uma das americanas...

Elas assistiram o filme "Sob o sol da Toscana" esses dias e só falam em ir pra Toscana agora. A Toscana é uma região aqui da Itália, onde tá Florença, Pisa, Arezzo e mais outras provincias menos conhecidas.
Depois de tanto falar no filme e sonhar em viajar pra lá, elas decidiram que vão esse fim de semana. Aí vieram me convidar. Eu não quero ir porque já fiquei um mês lá e prefiro economizar ficando aqui mesmo. FUi enrolando perguntando um monte de coisa... aí percebi que elas não sabem muito bem o que é a Toscana. Mas essa eu tive que ensinar né.

-Ai eu num sei não.. vocês vão pra onde.. já decidiram?
-Pra Toscana!
-Sim mas pra que lugar?
-Ah a gente vai p/ aquele lugar do filme que ela está numa praça e bla bla bla...
-Sim.. mas faz tempo q eu vi o filme. Onde fica essa praça?
-Na Toscana.
-Em que lugar da Toscana, mulher?
-Todos os lugares do filme!!
-Aff.. mas me diga.. vc vai pegar um trem aqui e vai descer onde primeiro?
-Na Toscana.
-Oxe.. mas na Toscana tem um monte de lugar.. você precisa saber pra onde vai.
-???
-A Toscana é... -a partir daqui vocês já sabem.

Elas me divertem e também me ensinam. Hoje tivemos folga e só fizemos vegetar e fazer uma maratona mata-moscas no quarto. Fofocamos e também curamos a ressaca. Ontem na noite de Halloween fomos bebericar no Tio Nicolá e comer uma massinha.

Hoje também lavei roupa, engomei as fardas, arrumei o quarto e estou me sentindo uma mocinha. Amanhã a jornada começa mais cedo, às 8 da manhã e provavelmente termina mais tarde também já que estou no serviço de sala e preciso servir o jantar da galera e depois limpar o salão. Desde que cheguei aqui eu preciso comprar um caderno mas ainda não consegui porque quando saio de casa ainda está tudo fechado, e quando volto tudo já fechou também. Sábado de manhã eu vou tentar comprar. Domingo nada aqui funciona.. só uma feirinha na praça central.