30 outubro 2006

As Americaninhas parte I

Essa é a Gayla (nao sei como escreve mas fala assim)
-Emilia eu comprei uma água pra você.
-Owww Daniele não precisava. Quanto foi? Depois eu te pago.
-Não precisa pagar não.
-Certo.. mas só por curiosidade. Quanto foi?
-Foi 39 euros.
-39 euros mulher? Que água especial é essa assim tão cara?
-Cara né. Pode crer. Mas num é tão cara assim não.
-Claro que é!!! Em lugar nenhum do mundo uma água custa 39 euros. Acho que eles viram que você é americana e decidiram roubar teu dinheiro.
-Do que você tá falando?? Foi só 39 euros!!!!!!
-É caro demais!!!!!!!!!!!!!! Tem certeza que foi mesmo 39 euros?
-Sim!! Zero ponto trinta e nove.
-Mulher... isso se chama CENTAVO.



Pois é... eles acham que centavo é o nome das moedas que custam menos de um dólar e só lá nos istêites. Eu não quero ensinar porque eu finjo que não sei.

29 outubro 2006

Torino

A cidade que estou (Costigliole d'Asti) é tão pequenininha a ponto de nem pegar o sinal da maior operadora de celular da Itália (TIM) e de quase ninguém saber onde fica. O que fazer então no primeiro final de semana aqui? Sair da cidade, é claro!!!

Depois de uma boa manhã de sono -pq fomos dormir meio tarde- nos mandamos daqui sem nem olhar pra trás, comer ou pensar em nada. Está tendo um festival de Slow-food em Torino e a gente só queria chegar lá. Viajar aqui é mais fácil do que ir de ônibus pras praias fora de Natal. Lá fomos nós -eu e as americanas que moram aqui comigo no quarto. os meninos foram na frente e as mexicanas foram caçar em Milão-. Eu não sabia que era comum os americanos ser tão assim devagar. Eu não vou falar mais que isso pra não me comprometer. Mas como pode vir pra um país longe do seu e nem saber o código telefônico de seu próprio país? E nem saber falar bom dia na lingua nativa desse novo país? É demais né. Mas eu como tenho muito talento na área de turismo e hispitalidade (leia-se estou aprendendo a ter muita paciencia) estou dando uma de guia-tradutora-amiga-telefonista-concelheira amorosa e de breguice pra elas. Eu faço tudo pra elas a ponto de elas quererem pagar tudo pra mim mesmo. Mas eu ainda não permiti que elas pagassem. Deixa só eu achar um casaco de pele bonito tipo um D&G ou PRADA pra vender pra ver se eu num peço pra elas comprarem.
Sim, mas Torino! Torino é grande comparando com Florença e Costigliole que é basicamente o que conheço aqui. Já que os detalhes de Milão eu simplesmente deletei de minha memória.
As ruas do centro -de Torino- são cobertas e tudo meio que parece um grande palácio. E era mesmo. Todas as coisas aqui na Itália que eu vi até agora tipo obra de arte, pontes e até cidades meio que pertenciam a famílias ricas das antigas. Eu deveria ter aprendido isso na aula de história, mas aprender assim de perto é muito mais divertido.
Em Florença era tudo dos Medici... que bancavam os artistas e tinham tudo pra eles. Aí hoje em dia nos museus tem um povo estranho nos quadros... que não são santos, Maria nem Jesus. Aí já sei que é um Medici.
Mas lá quanto a Torino, ainda não decorei o nome dos senhores que eram os ban ban ban. Mas o que sei até agora é que que a FIAT é de lá, que já foi capital da Itália (que nem florença) e que tb foi lá que surgiu o Martini. Ahhh.. tem o Santo Sudário que também fica lá em algum museu. Dizem que tem alpes também, mas eu não vi já que as calçadas são cobertas e não deu pra ver paisagem.
O que vi mesmo lá foi uma tal VINERIA que entramos e pagamos um preço justo por uma taça de vinho e então tivemos direito a comer a vontade. Caviar, empadinhas, presunto (presunto aqui é coisa boa mesmo), mortadela (boa tb visse), docinhos, frutinhas, torradinhas, folhadinhos... tudo por menos de 20 reais. Isso pq eu só comprei só uma taça de vinho e fiquei segurando e fazendo charme por quase uma hora enquanto as meninas bebiam horrores gastavam horrores e começavam lentamente a falar extremamente alto e virar Heleninha. :)
Encontramos os meninos em uma praça onde estava tendo um festival de música e terminamos nem indo pro festival de comida. Fomos procurar hotel mas estava TUDO lotado.. albergue, bad&breakfest, hotel, pensão.. tudo!!!! Isso porque está acontecendo dois festivais ao mesmo tempo. Voltamos pra casa depois de assistir o jogo do Milan contra o Inter de Milano (que pra mim eram uma coisa só) enquanto comiamos macarrão gostoso e tomávamos mais coisas.

Assistir esse jogo aqui foi tão divertido quando assistir a uma final de copa do mundo (quando no fim a gente ganha, claro). Eram 7 jogadores brasileiros e eu ficava tão feliz cada vez que cada um aparecia na tela. Fiz questão de dizer pro garçom que os brasileiros são os melhores e depois de muito discutirmos chegamos a conclusão de que sim, os jogadores brasileiros são os melhores, mas que a Itália é a melhor do mundo. Não posso discutir com ele sobre isso, pelo menos não ainda.

Mas Dida, rapaz... 4 frangos!!!!!!!!! Tisc.

E aí, de repente, nesse restaurante que tinhamos esperado meia hora pra conseguir uma mesa e uma hora pela comida e que estava lotado demais, não tinha quase ninguém. O jogo acaba, vai todo mundo pra rua.

Depois de tudo só voltamos pra casa no meio de uma névoa muito muito muito forte. Até parecia que eu estava dentro de uma nuvem.

Quanto as opções turísticas de Torino eu ainda vou tirar um dia pra ir. Vou ter tempo de ver o bendito santo sudário e depois mostro a foto que vou tirar escondida. :)

28 outubro 2006

Toda animação no primeiro dia de aula. Eu ainda não parei aqui pra escrever direito nos últimos dias, mas eu vou fazer isso assim que der.
Mas tudo aqui é muito jóia. Tenho internet no quarto, peguei por sorte um quarto individual que fica dentro de um quarto grandão que tem duas americanas e que são gente boa apesar disso.




A turma é toda ótima, tirando as mexicanas macheiras mas eu vou tirar de letra. Somos 11 ao total, sendo 5 americanos, 2 brasileiros, 2 mexicanas macheiras, um canadense e um italiano. Isso tá me deixando muito, mas muito confusa mesmo a ponto de falar em ingles com o brasileiro, em português com o italiano e em italiano com os americanos. As mexicanas eu só ignoro mesmo ou falo CABRON!!! :)

A escola fica no castelo bem em cima da colina que fica a cidade. Pra onde quer que a gente vá é sempre subindo ou decendo e ou eu me acostumo com isso ou então eu me acostumo. É tudo pertinho, bem pertinho mesmo mas apesar disso fazemos um esforço danado pra chegar nos lugares. A residencia da escola -onde moro- fica na parte mais baixa e o castelo na parte mais alta. Imagina a ladeira do sol.. pronto. É mais ou menos aquilo que tenho que subir pra ir pra escola cedinho da manha sem sol com frio e a neve chega já.

Essa foto do castelo não é o melhor angulo mas foi o que saiu porque estávamos cansados demais até pra parar pra foto. As aulas vão de 8h30 da manhã até 7h da noite que é quando jantamos lá no castelo e depois é só descer no meio do mato e vir pra casa.

Hoje fomos de novo ao bar que fomos ontem e quando fui me despedir do senhor que fica lá ele já falou "até amanhã" meio que prevendo como será nossa estadia aqui. Mas isso é claro só um começo de curso bem animadinho e estigado. Até porque depois de 11 horas de aula, com poucos intervalinhos, não é todo mundo que ainda aguenta ir pro bar depois acordar cedo no outro dia e fazer tudo de novo. Semana que vem eu entro na rotina.

Mas a escola é linnnnnnnnnnnda. Eu já falei isso? Pois é.. é linnda demais. Meio modernosa e meio castelo de pedra.. com cameras pros pratos e tanta coisa mais. E o povo é tão legal. Nada de aventuras, cafuçus e velhinho doido dentro do orelhão roubando minhas moedas. Até pq na cidade inteira só tem 2 orelhões. Tem também só dois bares e não só um como imaginei. Tem UMA banca de jornal, UM médico, UMA farmácia e um cinema que acho que tá falido pq só vive fechado. Mas o que importa é que tem um castelo.

Depois escrevo direitinho com mais calma e detalhes das aventuras com as mexicanas macheiras.

:)

27 outubro 2006

Ciaaaaao e Ciao


Despedida de Florença










Boas Vindas em Costigliole d'Asti

23 outubro 2006

Agora que voltou a fazer calor, que tenhos pessoas legais sempre por perto, que tenho turminha legal de sair, quase nao me perco mais na cidade, sei qual pitoco serve pra qual boca do fogao, sempre encontro alguem conhecido nos lugares e ja conheço as entocas da cidade, eu preciso ir embora.

Ahh.. o Ramadan acabou... e agora eles estao soltos e doidos pela cidade tambem durante o dia. Alahhh como sao muitos!!! E todos barulhentos e entroes. Hoje um deu de me seguir e outro ate pegou meu oculos e colocou no rosto. PUTZ!!!

22 outubro 2006

Tenax

Últimos dias em Florença e me entreguei a tudo que essa cidade tem pra oferecer. Virei turista mesmo, fui pra todos os museus que ainda não tinha ido, todas as ruas importantes, pontes, jardin, etc.
De tanto andar e me estressar me perdendo na chuva eu fiquei foi gripada. Perdi a noite da sexta e preferi descansar pra me jogar no sábado.

Ontem fomos a um clubinho jóóia demais ( www.tenax .org ) e o Lapo nos comprou até uma mesa VIP no camarote do lugar, que ficava em evidência .. no meio e no alto. Muito chique. Fomos recebidos com uma garrafa de vodka, frutas e uma vela daquelas que faz estrelinha. Meu ultimo sábado e minha despedida de Firenze foi o melhor dia e eu vou ficar com saudade também daqui. Mas mais das pessoas que conheci e convivi do que da cidade.

Enfim.

Depois de muita Vodka, Champanhe, suor e cafuçus fomos dormir lá pras 8 da manhã e felizes da vida. Vou colocar foto aqui e tem também uma montagem no fotologue. Simmmm.. tem um video também. De nós dançando e das minhas gringas falando coisa feia em português. Depois vejo se coloco no Youtube.

Últimos dias em Florença

Já conheci gente de tanto lugar. Eu até já desconfiava que em Natal tivesse mais italiano que aqui e agora tenho certeza. Eles enjoaram dos turistas, entregaram a cidade aos indianos e árabes e se mandaram pra costa brasileira. Vai dizer que você também não se mudaria pro paraíso tropical se sua boa aposentadoria valesse três vezes mais lá.

Ainda bem que eu sei falar "Salamaleiko".

Eu vinha pensando nesses últimos dias sobre todos os países que eu poderei visitar e ter hospedagem de graça depois de conhecer tanta gente e de tantos países diferentes. Nova Zelândia, Venezuela, India, Singapura, Inglaterra, Holanda, Turquia, México, Estados Unidos, Alemanha e Polônia. É tudo que eu consigo lembrar agora. Mas no meio dessas pessoas, e de tantas outras mais que cruzei por aí, o que eu não tinha visto e nem ouvido ainda foi um francezinho.

Quando eu me dei conta disso saí por aí de ouvido aberto catando francês e nada! E a França fica logo ali do lado. A coisa é séria mesmo. Mas pra não dizer que não achei nenhum francês, pra meu grande alívio, eu meio que encontrei um essa semana. Foi quarta-feira, em uma dessas baladas fiorentinas. Lá estava eu na pista de dança me divertindo com a gringalhada dançando e sinto dois pesos vindos da região de meu carangueijo e com intenção de me abraçar por trás. OPA MEU SENHOR!!!! Pegue muito não que né pro teu bico nããão rapá! Deu vontade de falar isso, mas eu gritei qualquer palavrão em italiano e fui olhar com aquela cara bem feia. Era um negão de 1,90m tentando me "pegar" pra dançar e eu parecia tão pequenininha na frente dele. Ele ficou com cara de assustado e não soube o que falar, e sonou um som tão delicado que eu mal acreditava no que estava ouvindo. ERA UM FRANCÊS! Eu estava puta com ele, mas mesmo assim perguntei de onde ele era só pra ter certa. Ele era mesmo francês! Tá bom, agora vai saindo que eu quero voltar ao meu tamanho normal e dançar com minhas amigas e minha caipiroska.

E por falar em negão, em clubinho fiorentino e caipiroska, a balada que mais bomba por aqui é a do Maracanã. Eu já fui lá umas duas vezes e achei bem legal até porque tem um garçom que entende tudo que eu falo -um curitibano-. Fora isso eu achava que era tudo igual aos outros clubes. O pessoal aqui de casa gostou tanto de lá que esses dias, depois do teatro, me encaminharam (assim como quem não quer nada...) pra lá. E lá no Maracanâ funciona assim: Antes da meia noite e meia a casa funciona como casa de espetáculo com tudo que é da cultura brasileira. A gente chegou cedo e pegamos uma parte do show que eu achei muito bonitinho e um pouco cafona também. Assim que chegamos estava tocando Asa Branca, que nunca soou tão bem pra mim, acompanhada de uma duzinha de casais meio que dançando um forró pulando e se requebrando todos com roupinhas iguais. Tudo bem arrumadinho. Aí depois teve a capoeira com umas mulatonas a la globeleza vestidas de calça branca e topinho idem que ficaram só rebolando durante as canções 'capoeiristicas' e uns senhores morenos-jambo mostrando alguns golpes/passos de capoeira. Enquanto um fazia, os outros se requebravam, claro. E as gringas nas mesas gritavam, babavam e piscavam. Muito bons, os garotos. Aí depois deles lááá vem as mulatas, agora -muito pouco- vestidas pro carnaval do Rio. Requebra daqui, requebra de lá, entra mulata agora com traje super-luxo cheeeeeeeio de pena e alguns moços vestidos meio que de garçom e aí saem pegando pessoas da platéia pra interagir lá no palco com eles e passar uma vergonhazinha mostrando que não entende nada de mexer a cinturinha no ritmo da música. Aí quem eles escolhem? QUEM??? Os meus gringuinhos de estimação!!! Eu fiz o maior auê "Chama eles chama elesssssssss" E lá foram Geléia, Auren e Robin pra cima do palco, cada um com seu ou sua mulata. Além deles foram outros gringuinhos também por isso a vergonha não foi muito grande. E eu era a única brasileira na platéia, então só pra mim aquilo era extremamente engraçado. Eu não sabia se ria, se mangava, se apoiava ou se tirava foto. Então eu só ri e tirei foto mesmo. Aren, Geleia, Robin e por ultimo eu dançando lambada. U-hu

Mas não é só isso! A dança acabou, eles voltaram felizes da vida pra mesa, Auren treinou todo o seu português gritando GOSTOSOOOO e BORA CAFUÇUUUU com os moços e ficou logo toda altinha com uma caipirinha. Aí tem outra música... agora seria uma lambadinha e láá vem a cantora me chamar pro palco. Não adiantou nem eu suplicar que não iria depois de insistir tanto pro pessoal ir. Eles me empurravam, a cantora puxava e não deu outra... quando menos percebi já estava em cima do palco. Ela pegou de novo o geléia, me deu um moço, deu uma moça a geléia e fez o mesmo com mais alguns gringuinhos. Lá vou eu dançar lambada com um moço tooodo embebezado de óleo que só fazia gritar no meu ouvido. Que vergonha! Eu só queria que aquele momento acabasse logo e mentalizei fortemente a saída daquele lugar, a minha bicicleta, o caminho pra casa e a minha cama. Mal olhei pra nossa mesa, nem o lhei pra geléia ou pras outras pessoas que estavam lá. O show acabou e vim foi embora. Que coisa! Mas o pessoal ficou lá, porque eles estão viciados no clubinho brasileiro. E agora eu ouço o tempo inteiro eles falando dentro de casa que os brasileiros são ótimos, que somos legais e bla bla bla.

Eu não sei como isso acontece, mas brasileiro é muito 'gostável'. :)

19 outubro 2006

Intitulável


Eu queria esquecer o Português, só pra não saber o que é Saudade.


E essa cara safada olhando pra minha cara inchada?

Eu choro mermo! De saudade de tudinho aí do Brasil. Mas quase sempre eu choro rindo. :)


17 outubro 2006

Geléia

Há mais de uma semana já sabiamos que chegaria um moço pra habitar nosso apartamento e essa idéia não me agradava nem um pouco. Robin adorou a idéia, Aparna não sabia o que achar, Aren achou o máximo -afinal alguém iria prestar atenção nela- e Chaveirinho ficou indignada pois não sobraria mais tanto espaço na geladeira pra ela.
Ficamos divididas e decidimos receber todas juntas esse tal de Nick. Ele tem 18 anos e ficamos cogitando se era gay, bonito, organizado, fedorento ou qualquer coisa que um menino dessa idade pode ser. Eu sei que pra mim ele era só um intruso e ainda mais uma criança. Eu já me sinto velha o suficiente ilhada por mulheres de 17, 18 e 19 anos e agora me vem um menino? Eles amadurecem tãããão lentamennnte e com 18 anos ainda são uns pirralhos chatos e cheios de espinha que ocupam o banheiro por muito tempo.

Domingo chegou e estávamos tããão apreensivas. Ele ficou de chegar às 17h, e como Chaveirinho não estava em casa, ficava ligando pro meu celular de 10 em 10 minutos perguntando por ele e dizendo pra eu lutar por ela e defender todos os nossos direitos de termos uma prateleira na geladeira.

O tal do Nick chegou de chinela de dedo, todo enrolado com o elevador e eu só via cabelo. Ainda não sei direito se ele tem traços bonitos ou se tem o nariz de batata ou arrebitado. Porque ele é só cabelo!!!

Nick é apelido, porque ele diz que o nome dele é Geléia, porque tinha uma barriga de geléia quando era mais novo. Agora ele é só cabelo, e cabelo não parece com geléia então o apelido não faz muito sentido pra mim.

Mas o que eu sei do Geléia até agora é que ele gosta de sair na rua pelado quando está bêbado, que ele gosta de The Doors, que vive esquecendo as suas coisas em meu quarto, não come nada, vai ao supermercado de pantufa e que tem um apelido estranho pra certos órgãos de seu corpo. :O Ah! Ele é britânico e usa um casaquinho vintage que está na moda, bem.

Eu só tenho mais uma semana aqui e vou continuar sendo legal com o Geléia, porque nessa idade os garotos ficam impressionados muito facilmente.

Depois eu tiro foto deles pras menininhas brasileiras se inspirarem. hehehe

Máfia Italiana!!!!

Florença está me saindo muito mais perigosinha do que eu imaginava. Não é um perigoso no sentido que costumava a usar essa palavra, tipo quando roubaram o som do meu carro ou quando se rouba celular nas paras de ônibus em Natal. É um perigoso surpreendentemente falando.
Em minha primeira semana aqui roubaram a bicicleta de uma amiga nossa lá embaixo do nosso prédio, durante a madrugada. Tudo bem que a o cadeado dela era peba, mas isso me assustou um pouco.

Miss Colao -a dona do apartamento que moramos, que vem aqui aos domingos pra checar se está tudo OK- nos contou semana passada que estupraram uma americana no centro da cidade e que momentos depois o carro dela -da Miss Colao- foi destruído por um Marroquino bêbado que não sabia nem onde estava, mas teve vontade de quebrar alguma coisa (e ainda bem que não foi a cabeça da pobre senhora Colao).

Já sexta-feira, quando estávamos voltando da baladinha, por volta de 4 da madrugada, ouvimos um barulho de cirene vindo em nossa direção. Cirene aqui é uma coisa tão normal, do tipo que se ouve 5 vezes por dia e eu simplesmente já me acostumei com isso. Perguntei a alguns italianos o porquê de tanta cirene, mas eles dizem que não sabem do que estou falando e eu simplesmente aceitei o fato como sendo normal para uma cidade com tanta moto e bicicleta. E a cirene em nossa direção, como eu estava contando, era da Polícia. O nosso querido italiano que adotamos pra nós (não pq tem carro, mas sim porque gostamos dele) ficou se perguntando o que diabos a polícia queria tão perto e tão aguniada e simplesmente furou o sinal devagarzinho e ficamos todas atentas.
Uma ferrari fura o sinal. A polícia fura o sinal cantando pneu e corta a ferrari -típica, pequena, baixa e vermelha- e desce um rapaz apontando a arma para o carro. O cara não estava fardado e a gente começou a se aperrear. As meninas só pediam pro Lapo ir embora dali, mas eu e ele queríamos presenciar ao vivo aquela cena de cinema e fingimos não ouvi-las. Lapo só falava que estava impressionado e nunca tinha visto uma arma na vida e eu gritando que nunca tinha visto uma arma em ação e que queria filmar aquilo tudo. No meio de tanta emoção, chegou mais umas viaturas da Policia, o cara da Ferrari não saiu do carro e dois policiais estavam gritando e apontando a arma pro carro e gritando ameaçando atirar. Aí a gente deu no pé. Já estávamos na esquina de casa e sonhando com as cobertas (simmm!!! isso aconteceu aqui na esquina de casa!!!).

Lapo ligou pros amigos mais intimos contando a história tão entusiasmado como se conta do primeiro porre pros amigos, as meninas simplesmente não lembram direito do que aconteceu, pois estavam mamadas e eu ainda acho que aquilo era um take pro novo filme da séri O Poderoso Chefão.

Ainda bem que a Policia aqui é eficiente.

E não é todo mundo que pode contar pros netinhos que a máfia italiana estava agindo do lado de sua casa né. ;)

Hoje é festa lá no meu apê

Fizemos uma festa quinta-feira passada e só agora estamos voltando à realidade. Muita bagunça, sujeira e resto de bebida nos deram muito o que fazer nesses últimos dias.

A festa foi muito jóia. A intenção era juntar todos os conhecidos e no fim todo mundo se conhecer e virar amigo para sempre. :P
Quando terminamos de fazer a lista de convidados, cada uma das 5 moradoras do apartamento, tinhamos então uma enorme lista de nomes femininos. Eram 35 mulheres e 4 homens. Coitados deles. Mas aí ficamos preocupadas com o andamento normal da festa, já que com tanta mulher e só 3 homens, tudo pode acontecer. Foi aí que decidimos convidar todos os homens que conhecemos, até os que nos parecem meio doidos, e pedir pra eles trazerem os amigos também.

A noite durante a festa, os homens chegavam aos montes, como que vindos em excursões. Todos muito elegantes e com um vinho na mão. Teve até um que já veio com champanhe cara e tudo. Palmas pra ele! É o Lapo, o italiano que pegamos pra ser nosso aqui. Ele tem carro, mas não é por isso que achamos ele legal. Enfim! Como eu estava falando, tinha muito homem na festa! E muita mulher também. E muita bebida, muita comida, muito espaço, muitos balões espalhados pela casa, etc. Foi tudo muito bom, até que uma convidada minha incorporou Heleninha Roitiman e tentou estragar nossa festa. Mas até isso foi muito engraçado (só no outro dia, claro). Veja quem é Heleninha aqui --> Vale Tudo Fia!

E então... a Heleninha não queria ir embora, quebrou garrafas fechadas de vinho, andou em cima de caco de vidro descalça, chorou, gritou, entrou com quase todos os caras no banheiro, depois chorou de novo e não queria ir embora de jeito nenhum! Não parecia que aquilo estava acontecendo. De 2 as 6 da madrugada essa maldita nos deu um trabalho danado, até que Ian, o único brasileiro que eu conheço aqui -e que me levou uma cachaça da boa-, pegou o carro e levou a menina pra casa.

No outro dia quem tentou ir pra escola foi barrada pelas que já estavam na limpeza de nosso apartamento que mais parecia um chiqueiro. E a Heleninha italiana virou lenda.

12 outubro 2006

Salamanca

Antes de ontem fomos a um clubinho chamado SALAMANCA, que todos estão dizendo que é muito bom e toca musica boa pra dançar. Nos emperiquitamos toda e fomos ver qual que era.
É legalzinho até, simples, pequeno e não paga pra entrar. As bebidas não são tão caras (a tequila lá era mais barata do que em Ponta Negra hein). Então já viu né.. ficou todo mundo mamado.

Lá pras tantas, já depois da hora do clubinho fechar e a gente achando bom pq ainda estava aberto, eles começam a pegar pesado pra expulsar todo mundo e colocam algumas músicas brasileiras do tipo "Bonecão do Posto", e outras pérolas dos Tribalistas, Timbalada... HUNF! Daí alguém pergunta "Issso é música brasileira, emilia?" e eu pela primeira vez desde que estou aqui senti uma vergonhazinha de ser do Brasil. :/

Aí na foto são algumas das meninas que moram comigo. A loira do nariz engraçado e com cara de mamada é a Aren, a que saiu com queixo duplo é Robin e eu com toda uma zarolhice.

10 outubro 2006

Baculejo


Ontem eu resolvi não deixar pra hoje o que poderia ter sido fido ontem -aquele velho ditado-, tomei vergonha na cara e fui comprar um casaco pro friozinho que está fazendo por aqui. Até fumacinha sai da boca de vez em quando, e na bicicleta eu estou sempre em altissima velocidade e muito exposta ao vento. E o sol da Toscana já foi, já era, morreu e num quer mais saber daqui. Ele tá por aí? Alguém viu?


E apois... saí em busca do tal que me esquentará neste inverno e andei um pouco pelas ruas do centro, mas desiludida com os preços das lojas, onde a Zara é a loja mais simplezinha (exagero... pq nem Zara eu vi aqui ainda) eu fui pra uma loja tipo C&A que tem perto do predio que funciona a minha escola e me danei a escolher casaco. Todos bem vintage, de veludinho, parecendo fardinha de soldado de chumbo, assim cheio de botão. Só tem assim e não adianta procurar outra coisa. Mas enfim, bem a moda C&A eu fui escolhendo logo um monte e tentando acomodar os cabides em meus braços. Sei que depois de pegar os que gostei mais, eu entrei no provador com uns 10 casacos pendurados em mim (volumosos pelo tamanho, tecido, etc). E é aí que encontro um aviso bem grande, dentro da cabine, dizendo que só se pode entrar com 2 peças por vez lá dentro. E por que não avisou antes, meu rapaz? "Mas senhor adesivo, eu já estou aqui dentro, com essa ruma de peça, e agora? Eu vou provar todas mesmo e fingir que nem sei disso. Que coisa!" eu converso até com adesivo agora.

Separei uns dois que gostei um pouco e saí pra checar o resto da loja que eu ainda não tinha andado. Por certo a coleçâo de inverno acabou de chegar, porque eu encontrei mais um monte (não 10, mas uns 3) de casaco e me danei de novo pra provar todos de uma vez, junto com os dois que eu já havia separado. Que mal pode haver nisso? Eu sou tão educada, provo tudo depois desviro do avesso, penduro de novo no cabide e coloco lá perto de onde estava.
No fim das contas eu escolhi um tal de Cardigan, que me fez lembrar do show que Jeza e Juliano -meio que- foram. Vivendo e aprendendo, porque isso pra mim era só uma banda e ainda mais que eu só 'conheço' umas duas músicas -incluindo Losing a Friend, que ofereço a Irving- (nem tentem entender que é uma história lonnnnnga).

Depois de pagar o bendito Cardigan, já na saída da loja, me chega um moço bem grande, de bigode e com cara de quem bate na esposa. Ele fala alguma coisa e me mostra um distintivo mas eu não entendo muito bem o que ele quer daí ele me leva pro canto da loja, em um lugar meio escondido e me explica que quer ver a sacola de roupas. Eu mostro. Depois ele me pede o recibo da loja, mas aí eu pedi pra ver o distintivo de novo, pois não falo muito bem italiano e não estava entendendo direito do que aquilo se tratava. Aí ele explicou que era um tipo de segurança habilitado e bla bla bla... Certo, eu mostro. Mostrei. Aí ele fica meio sem jeito e pede pra ver a minha mochila. Ele mal terminou a frase e eu já fui mostrando a bolsa, afinal eu queria que aquilo acabasse logo. É quando de repente ele acha o casaco que eu tinha roubado da loja, dentro da bolsa!!!!!! hehehe.... Brincadeira. Ele olha a minha bolsa assim meio sem jeito e eu faço questão de mostrar bolso por bolso, tirar livro, água, notebook, tudo de dentro pra ele ver mesmo que não tinha nem um friso da loja -que era só de roupa mesmo- na minha mochila.

Situação muito chata tanto pra mim quanto pra ele. Mas depois que ele viu que eu sou uma boa menina, ele se desculpou demais e ai explicou que estava fazendo aquilo porque eu entrei com coisa demais no provador, e isso não é comum e nem é permitido. Eu disse que não podia adivinhar e que só soube disso quando vi o tal adesivo no provador, mas aí já era tarde demais. Aí que o pobre do segurança ficou mais sem graça ainda e em meio a tantas desculpas e tantos sorrisos sem graça eu fui embora, afinal o tal momento já estava durando mais do que o necessário. Que coisa!


Aviso de Utilidade Pública: Na Italha não se leva mais de 2 roupas pro provador. Isso evita que precisemos levar, junto com as peças que vamos provar, aquelas etiquetas retangulares de plastico com um número, do tamanho de 10 bolachas pra dentro dos provadores das grandes lojas.

09 outubro 2006

Tentaçao

... Somos castigados pelas nossas renúncias. Cada impulso que tentamos estrangular germina no cérebro e envenena-nos. O corpo peca uma vez, e acaba com o pecado, porque a acção é um modo de expurgação. Nada mais permanece do que a lembrança de um prazer, ou o luxo de um remorso. A única maneira de nos livrarmos de uma tentação é cedermos-lhe. Se lhe resistirmos, a nossa alma adoece com o anseio das coisas que se proibiu, com o desejo daquilo que as suas monstruosas leis tornaram monstruoso e ilegal. Já se disse que os grandes acontecimentos do mundo ocorrem no cérebro. É também no cérebro, e apenas neste, que ocorrem os grandes pecados do mundo.

Oscar Wilde, em O restrato de Dorian Gray.


Comentarios?

Eu realmente queria saber a opiniao de algumas pessoas quanto a isso. :)

08 outubro 2006

Se tremendo TODA parte II

Esse post aqui vai pra Sergio Ricardo, il mio ragazzo. Ja que estamos falando em mexer, essa aqui vai na mesma linha. E tambem è daquele senhor que sabe o que fala. Vou colocar a musica na versao original mesmo, pq se mudar o que eu quero mudar, vai ficar tao sordido. Troquem o "o" pelo "a" e vice-versa e o "de agora em diante" por "de daqui a 11 meses e 1 semana em diante" e tudo faz mais sentido.

Ai vai...

"Não adianta negar que pôs feitiço em mim
É só você chegar pra eu ir ficando assim
Fagulha na espinha
E como deslizar no lodo
Soprou no meu ouvido e eu fiquei
Me tremendo todo

O seu olhar me comanda e
Manda eu mexer
E a tremedeira e rebatida pra você
Friozinho na barriga
Baixe a guarda
Não exploda
Só uma lambida e você vai ficar
Se tremendo toda

Zumbido no juízo
Baixe a guarda, não exploda
De hoje em diante você vai viver
Se tremendo toda."

Se tremendo TO-DA !

Esse post vai em homenagem ao meu amigo Fred ZeroQuatro, que sabe das coisas.


Eu relutei demais, mas ontem resolvi ir conhecer um "clube" e cair na balada pesada de Florença. Fui bater em um lugar chamado MARACANA rezando pra nao ter muito brasileiro e ficar no anonimato mesmo.
Cheguei e nao neguei minha origem, pechinchando ao maximo na entrada e cheguei a economizar 7 euros e ainda ganhei um drink gratis :D
Entrei, peguei meu drink gratis, encontrei o pessoal e fiquei dançando em passinhos timidos meio que observando a gringalhada dançar. E que coisa engraçada! No Canada eles dançavam muito bem atè, mas aqui o povo dança muuuuito engraçado. Como todos dançam muito mal, entao termina sendo normal dançar sem ritmo e sem noçao de tempo e espaço. Uns exageram demais, outros nao saem do lugar, etc.

Depois do drink que estava muito bom por sinal, fui dançar na pista com as doidas das italianas que me levaram pra la. Elas sao doidinhas e dançam bem como gringas mesmo. Eu ja tava meio alegre, pq faz tempo que nao bebo, e comecei a entrar no clima. Mas eu danço muito diferente pros padroes deles, afinal brasileiro sabe mexer. E ai que esta o nosso segredo. Depois de analisar bem muito as pessoas nesse clube, percebi que nos temos A ARTE DE MEXER. Entao façam bom uso disso, pq eh uma raridade.

Mas se vc ainda nao aprendeu o que seu mexidinho pode te trazer de bom, eu te conto que vc pode conseguir umas doses de tequila de graça.

Eeee le le!

Mas fora isso, nada de novo no clubinho. Muita gringa bebada, gringo tarado, "non mi rimpere la scatole" e de 5 em 5 minutos uma olhadinha no dicionario pra checar se eu estava falando a coisa certa mesmo.

Arranjamos carona pra casa e eu acho que a puberdade masculina na Italia dura ate pra lah dos 23 anos. O povinho mais.... tisc. xapralà

E pra finalizar por hoje, parte da musica do Mundo Livre pra nos :)

Mexe, mexe, mexe
Mexe, mexe, mexe
Por que a arte de mexer vem desde os tempos da pedra lascada
Todo mundo mexia, todo mundo requebrava
Todo mundo sacudia, todo mundo balançava E cantava ... la la la

07 outubro 2006

Autobus

Esse pensamento vai especialmente pra minha galamiga érica, que acabou de virar motorista habilitada e tudo.



Motorista de onibus eh tudo escroto, soh muda de pais.


Txan!

Pecando


A Itália é oficialmente (pra mim) o país dos pecados. Eles são muitos e é muito difícil resistir. Mas estou sendo brava. Ai, ai...


Isso aqui é um dos maiores pecados e é um que eu me entreguei já por duas noites. Da primeira eu pensei que só provaria pra ver que~era só mais uma coisa normal. Mas tem uma 'waffleria' 24h no centro e fomos comer um dia desses de madrugada de novo. Ninguém é de ferro né.
Olha.. é um Waffle quentinho.. que sai na hora com muita Nutela em cima.

:~~

Pelo menos eu tentei...

Sábado-feira.


Depois de horas de um bom sono, com uns sonhos agradáveis e outros sonhos bem sonhos mesmo -alguém aí já sonhou que estava narrando uma batalha na época do império romano? pois eu já-, acordei disposta a mostrar a Itália pra minha roupitxa de ginástica. Enquanto ainda me espreguiçava na cama, planejei toalha no chão pra alongamento e abdominais, horas de pedalada e mais uma horinha de corrida no parque ouvindo Nação Zumbi (né Jeza) pra depois me esparramar gostoso na grama, que nem uma estrela-do-mar estatelada na areia da praia.

Mas é aí que, em meio de tantos planos saudáveis, eu ouço um "BRuuU..." e me deparo com um céu cinzento e uma chuvinha fina, que logo se transformaria no famoso toró. E pra que esses trovões? Que coisa! Cadê o sol toscano? Os girassóis e as pessoas de roupa colorida na rua sorrindo pro nada? E as velhinhas distribuindo macarrão pra todo mundo de graça? Aff.. só em filme mesmo. Certo que na floricultura aqui perto tem uns girassóis lindos. :)
Mas a chuva não me desanimou. Fui gastar energia e acelerar o metabolismo limpando o quarto, lavando roupa e cozinhando :D Porque depois de gastar 15 calorias dobrando roupa feito uma lesma e girando o botão da máquina de lavar, eu mereço uma boa refeição. E um chocolatinho também. E talvez umas rosquinhas com chocolate quente mais tarde.

E que meu ócio seja bemmm produtivo.

05 outubro 2006

Saudade (ou momento brega)

Me chamaste…
E na minh'alma o nome iluminou-se
Como um vitral ao sol, como se fosse
A luz do próprio sonho que sonhaste.
Numa tarde de Outono o murmuraste,
Toda a melancolia do Outono ele me trouxe,
Jamais me hão-de chamar outro mais doce.
Com ele bem mais triste me tornaste…
E baixinho, na lama da minh'alma,
Como bênção de sol que afaga e acalma,
Nas horas más de febre e de ansiedade,
Como se fossem pétalas caindo
Digo as palavras desse nome lindo
Que tu me deste: Saudade.

Florebela Espanca (e uma pequena mudança de emilha)

Praça


Flor, em uma praça que descobri perto de casa.

Tem até uns patinhos nesse lago. E muita grama pra se esparramar.

Tudo por 3 moedinhas

A comunicação em um lugar como Florença acontece de várias maneiras, mas a fala é a menos provável, e mais difícil de dizer o que se quer.


Já me meti em poucas e boas por isso, já fui confundida com muita coisa e já cheguei até a ser compreendida, o que foi uma surpresa.


Eu não sei se foi vingança ou foi só um mal entendido, mas o que sei é que ontem eu fiquei sozinha em um lugar meio esquisito e meio perdida. Foi assim...

Na terça o meu amigo das arábias me ligou e ELE marcou de me encontrar dali a alguns minutos. Porém EU marquei com ele de só nos encontrarmos na quarta, pois eu estava cansada e queria ir pra casa. Uma meia hora depois, quando já estou pegando no sono, o celular -que estava no modo ESCANDALOSO, pra me acordar de manhã- toca e era ele perguntando onde eu estava, pois ele já estava me esperando e bla bla bla. Ma ragazzo, eu estou em minha cama já adormecendo... Non mi rompere la scatola va!

Já ontem de noite, ele me liga de novo (a noite, claro. pq enquanto há sol, não se pode fazer nada além de rezar e trabalhar. Ramadã, minha gente) e EU marco de encontrar com ele dali a alguns minutos. Va bene. Me apronto e fico lá plantada esperando por um tempo. Ligo e pergunto onde ele está, e num é que o danado já estava em casa. Perguntei se não tinhamos marcado de nos vermos, mas não entendi a resposta. Mas eu não ia ficar gastando crédito com explicações que não entendo, de conversas que eu não entendi. Que coisa! E ali estava eu, sozinha a noite em frente a estação de Florença (imaginem uma mocinha em frente a rodoviária de cidade da esperança a noite, perdida). Resolvi ir pra casa, mas não antes de ligar pra Recife.

Fui no orelhão, coloquei umas moedinhas pra dentro do telefone e deixei outras moedinhas de reserva na parte de cima do orelhão. Por muito tempo fiquei lá tentando telefonar, mas o orelhão não estava de bom humor, sabe Deus por quê*. Aí me chega um senhor, com muito volume nas costas e eu, muito educada e serelepe pra gastar o italiano, ofereço a vez, mas aviso que o orelhão não está funcionando bem. O senhor entra na cabine, olha pras minhas moedas em cima do telefone e pega todas na mão. Eu pensei que ele ia me ajudar, colocar mais moedas no telefone ou algo do tipo. Mas aí ele com a maior cara de santo coloca as moedas dentro do bolso dele!!!! Eu olhei pra ele muito séria e pedi as moedas de volta. Ele disse "non. sano mia" e eu comecei a me aborrecer: "DAAA ME VA!! DAAAA MEEE ADESSO ADESSO!!!!". Mas ele não achou que eu teria coragem de ir além daí e não me deu as moedas. Saiu da cabine e ficou com cara de sonso olhando pro nada. Aí sim eu fiquei um pouco aborrecida e olhei muito séria pra ele e pedi de novo as moedas mas em um tom e em um volume mais alto. Ele não deu, e foi aí que eu comecei a gritar "POLIZIAAAAAAAAAAA POLIZIAAAAAAAAAA" e não poupei o meu italiês pra xingar o senhor, "TU É DOIDO!!! LOUCO! MALUCOO! DOIDOOOO". Eu acho que aí ele entendeu o que eu seria capaz de fazer por 60 centavos de euro. Bem calmo, colocou a mão no bolso, tirou e contou as moedas e me devolveu. Tudo com a mesma cara, que nem um ator de Malhação. Eu me fiz de valentona mas estava com medo, e a essa altura e depois de tanto grito, já tinha até umas putanas, antes aglomeradas na esquina, que agora estavam ali pra me ajudar, e também um senhor de terno que veio ver o que estava acontecendo. Eu peguei a minha cerveja de cima do telefone, peguei as minhas moedas e fui pro orelhão que ficava do outro lado da rua. Enquanto telefonava vi o senhor atravessando a rua, andando bem calmo e como se nada tivesse acontecido. Lá foi ele embora atrás de alguém menos calmo pra assaltar.


Eu até me espantei com a minha reação, afinal era só 60 centavos e vai que o tio realmente precisasse né. Eu daria até mais se ele pedisse, mas a cara de sonso dele me fez ficar irritada demais. Talvez eu também tenha tentado provar que não sou só uma turistinha que tem medo de qualquer um que vai chegando e fazendo o que quiser. Já que aqui tem muito turista zé mané que não fala nada de italiano e fica perdido pelos cantos porque não sabe o que é 'direita' ou 'esquerda' em italiano. Eu também me perco, e falo muito mal, mas pelo menos tento. E quando peço informação, nunca o faço em inglês. Que coisa! Por isso as pessoas são logo chatas com os turistinhas desinteressados e desinteressantes. Não custa nada decorar que seja meia dúzia de frases na lingua do país que se está visitando né.


ORA mas que coisa!!!!!!!!!

04 outubro 2006

Envelhecendo

Hoje recebi um email muito engraçadinho, de minha amiga Elke. Ela uma vez me ensinou a falar umas palavras "fortes", que hoje me serviram pra falar pra um holandes folgado.
Ser a mais velha da turma, do apartamento, etc. da um trabaaaalho... aff

Sim, mas o que mais gostei no email foi;

Inside every older person is a younger person -- wondering what the hell happened.

é ou num é ?

03 outubro 2006

Inxalá!

E num é que de tanto conviver com eles, eu já to chamando mesmo os benditos estadosunidenses (mas assim tb eh muito estranho neh) de 'americanos' ? Com aquele sotaque e tudo. "AUMEURICÁNOUS".


E esse senhor daqui, com toda essa pinta de brasileiro, estava tocando no meio da praça. Eu me cheguei, tirei foto, conversei com os amigos tudo na maior intimidade. Mas depois veio a revelação. Ele não é brasileiro não. E nem tava batucando um sambinha. Aquilo era musica árabe e o senhor é Marroquino!!! Se ele tivesse começado a dançar antes, eu teria descoberto logo também. Ô povo pra rebolar e estalar os dedinhos. Innnxalá! Eu quero é ooooouro!!!



E a vcerveja depois da batucada? Que nada! É ramadan! Cerveja agora só dia 20. Mas um café serve, va.

Piazza della Republica



Mas piiiiiiiiiiiiiiiia !

Isso aí melhora até o humor do Faustão.

Muito bom.. e me custou só 1 euro, que foi o troco da cerveja e era tudo que eu tinha na hora pra dar. Muito bom, muito bom.

O mais engraçado foi ele tirando muita onda com os americanos. Delicia!

Moda

Uma nova proposta aqui em Florença. Todos os homens andam assim na rua agora.

Por essas e outras que o temperinho simples brasileiro ainda faz a minha cabeça. Viva a calça jeans com camiseta.

Espie só, rapaz. Que coisa mais ... er... maissss... esquisita!

Humores

Eu sou o meu humor. O meu humor sou eu.

Dia 24 de setembro - 1o dia em Firenze:

Ohh que bela cidade. Que dia lindo, que sol gostoso. Que pessoas simpáticas, todas se comunicam tão bem, mesmo que em inglês, diferentemente de Milano. Que alegria. Estou me sentindo em casa.

Dia 02 de outubro - 8o dia:

Que calor da bixiga! Venho lá de Natal pra passar calor logo aqui. INFERNO! E esse povo? Cadê os italianos? Só tem americano aqui! Cacete! Vou pelo menos ali na banca pra bater um papo com o jornaleiro. Pelo menos ele deve ser italiano.
- Buongiorno signore. Come stai?
- Fine and you?
- (¨*%**() !

Dia 26 de setembro:

Como é bom se perder em Firenze, e se achar em frente à casa de Dante.

Dia 03 de outubro:

Que bosta de mapa esse meu! Eu só faço me perder nesse lugar! Não teve um dia que eu tenha ido direto pra casa sem ter que parar e me perguntar 'onde estou'. Será que essa cidade foi feita pra ser um labirinto ou essas ruas mudam de lugar todos os dias? Eu preciso de um mapa novo.

Dia 24 de setembro - primeiros momentos no apartamento

Que predio simpático. Que elevador charmoso. Tenho que, eu mesma, abrir e fechar todas as portinhas. Que exótico. Todo de madeira, dentro de uma jaulinha de ferro. Que legal comandar o meu próprio elevador.

Primeiro de outubro:

Isso num é um elevador não! É um TRAMBOLHO!!! Posso nem tirar as compras direito que essa porta vem na minha cara! Que dificuldade! E ainda fazx barulho a noite. Como eu posso estudar em paz se essa máquina velha quando se move mais parece um caminhão velho? TRAM-BO-LHO!

Dia 25 de setembro - 1o dia útil em Firenze:

Mas quanta pombinha linda. Que felizes elas são.. que alegria trazem a essa cidade. Vou sentar aqui nessa praça e dar os restos de meu almoço pra elas. Venham, queridinhas: 'triii triiii triii' ... venham comer. Olha.. caiu uma peninha. Que macia! Vou fazer carinho em meu rosto com ela. Ahhh que gostosinho. Essas pombas só trazem alegria...

Todos os outros dias, que não os dois primeiros:

Que bando de pomba chata! Acho que na verdade todas elas são mini-porcos com asas. Que bixinhas fedorentas e imundas. Só fazem soltar essas penas fedorentas e sujas pela cidade e fazer cocô nas praças. Saiam daqui! Será que nem as migalhas de minha comida podem ficar em paz no chão? SAIAM TODAS DAQUI *&¨%% !!!!

02 outubro 2006

Deus lhe Pague (ou No Limite)

Que coisa difícil estar nessa Itália...

Além de muito trabalho pra conseguir um visto de estudo italiano, ao chegar aqui ainda é exigido ter o "Permeso de Soggiorno". Uma tal de permisão de moradia. É preciso mostrar tudo que se mostrou pra pedir o visto, tudo carimbado pelo consulado, e ainda mais algumas coisas que parece que muda a cada dia e de acordo com o humor do agente que te atender na Questura (Policia daqui).

Facilidade nenhuma. A Questura só abre de 8 às 9h30 da manhã, de segunda a quinta e você só tem 8, a contar da data de entrada na Itália, pra pedir o Permeso. Desde a semana passada que corro atrás da papelada, pago selo, tiro foto, depois tiro de novo pq o tamanho tava errado, enfrento filas imensas as de 4 horas de duração começando no friozinho do fim da madrugada e terminando no solzão das 11 da manhã.

Ô Itália... me ajuda vai. Eu fico só 8 meses e vou embora. Eu juro. :(

Enfim... o meu prazo já se esgotou, mas como a senhora agente da Questura já me conhece, eu tenho mais um dia. Simbora! Eu sou brasileira e... er... bem... uma hora eu desisto.

Perfume

Às vezes eu me sinto como o protagonista desse filme (Perfume: The story of a murderer). Não vou sair matando ninguém, mas eu queria colocar certos cheiros dentro de um vidrinho e passar um pouco em um lencinho todos os dias antes de sair de casa.