Ainda bem que eu sei falar "Salamaleiko".
Eu vinha pensando nesses últimos dias sobre todos os países que eu poderei visitar e ter hospedagem de graça depois de conhecer tanta gente e de tantos países diferentes. Nova Zelândia, Venezuela, India, Singapura, Inglaterra, Holanda, Turquia, México, Estados Unidos, Alemanha e Polônia. É tudo que eu consigo lembrar agora. Mas no meio dessas pessoas, e de tantas outras mais que cruzei por aí, o que eu não tinha visto e nem ouvido ainda foi um francezinho.
Quando eu me dei conta disso saí por aí de ouvido aberto catando francês e nada! E a França fica logo ali do lado. A coisa é séria mesmo. Mas pra não dizer que não achei nenhum francês, pra meu grande alívio, eu meio que encontrei um essa semana. Foi quarta-feira, em uma dessas baladas fiorentinas. Lá estava eu na pista de dança me divertindo com a gringalhada dançando e sinto dois pesos vindos da região de meu carangueijo e com intenção de me abraçar por trás. OPA MEU SENHOR!!!! Pegue muito não que né pro teu bico nããão rapá! Deu vontade de falar isso, mas eu gritei qualquer palavrão em italiano e fui olhar com aquela cara bem feia. Era um negão de 1,90m tentando me "pegar" pra dançar e eu parecia tão pequenininha na frente dele. Ele ficou com cara de assustado e não soube o que falar, e sonou um som tão delicado que eu mal acreditava no que estava ouvindo. ERA UM FRANCÊS! Eu estava puta com ele, mas mesmo assim perguntei de onde ele era só pra ter certa. Ele era mesmo francês! Tá bom, agora vai saindo que eu quero voltar ao meu tamanho normal e dançar com minhas amigas e minha caipiroska.
E por falar em negão, em clubinho fiorentino e caipiroska, a balada que mais bomba por aqui é a do Maracanã. Eu já fui lá umas duas vezes e achei bem legal até porque tem um garçom que entende tudo que eu falo -um curitibano-. Fora isso eu achava que era tudo igual aos outros clubes. O pessoal aqui de casa gostou tanto de lá que esses dias, depois do teatro, me encaminharam (assim como quem não quer nada...) pra lá. E lá no Maracanâ funciona assim: Antes da m
eia noite e meia a casa funciona como casa de espetáculo com tudo que é da cultura brasileira. A gente chegou cedo e pegamos uma parte do show que eu achei muito bonitinho e um pouco cafona também. Assim que chegamos estava tocando Asa Branca, que nunca soou tão bem pra mim, acompanhada de uma duzinha de casais meio que dançando um forró pulando e se requebrando todos com roupinhas iguais. Tudo bem arrumadinho. Aí depois teve a capoeira com umas mulatonas a la globeleza vestidas de calça branca e topinho idem que ficaram só rebolando durante as canções 'capoeiristicas' e uns senhores morenos-jambo mostrando alguns golpes/passos de capoeira. Enquanto um fazia, os outros se requebravam, claro. E as gringas nas mesas gritavam, babavam e piscavam. Muito bons, os garotos. Aí depois deles lááá vem as mulatas, agora -muito pouco- vestidas pro carnaval do Rio. Requebra daqui, requebra de lá, entra mulata agora com traje super-luxo cheeeeeeeio de pena e alguns moços vestidos meio que de garçom e aí saem pegando pessoas da platéia pra interagir lá no palco com eles e passar uma vergonhazinha mostrando que não entende nada de mexer a cinturinha no ritmo da música. Aí quem eles escolhem? QUEM??? Os meus gringuinhos de estimação!!! Eu fiz o maior auê "Chama eles chama elesssssssss" E lá foram Geléia, Auren e Robin pra cima do palco, cada um com seu ou sua mulata. Além deles foram outros gringuinhos também por isso a vergonha não foi muito grande. E eu era a única brasileira na platéia, então só pra mim aquilo era extremamente engraçado. Eu não sabia se ria, se mangava, se apoiava ou se tirava foto. Então eu só ri e tirei foto mesmo. Aren, Geleia, Robin e por ultimo eu dançando lambada. U-hu
Mas não é só isso! A dança acabou, eles voltaram felizes da vida pra mesa, Auren treinou todo o seu português gritando GOSTOSOOOO e BORA CAFUÇUUUU com os moços e ficou logo toda altinha com uma caipirinha. Aí tem outra música... agora seria uma lambadinha e láá vem a cantora me chamar pro palco. Não adiantou nem eu suplicar que não iria depois de insistir tanto pro pessoal ir. Eles me empurravam, a cantora puxava e não deu outra... quando menos percebi já estava em cima do palco. Ela pegou de novo o geléia, me deu um moço, deu uma moça a geléia e fez o mesmo com mais alguns gringuinhos. Lá vou eu dançar lambada com um moço tooodo embebezado de óleo que só fazia gritar no meu ouvido. Que vergonha! Eu só queria que aquele momento acabasse logo e mentalizei fortemente a saída daquele lugar, a minha bicicleta, o caminho pra casa e a minha cama. Mal olhei pra nossa mesa, nem o lhei pra geléia ou pras outras pessoas que estavam lá. O show acabou e vim foi embora. Que coisa! Mas o pessoal ficou lá, porque eles estão viciados no clubinho brasileiro. E agora eu ouço o tempo inteiro eles falando dentro de casa que os brasileiros são ótimos, que somos legais e bla bla bla.
Eu não sei como isso acontece, mas brasileiro é muito 'gostável'. :)

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