Duas faltas no curso são motivos de expulsão e nada de devolver dinheiro. Assinamos termos e mais termos de responsabilidade quanto às regras da escola. Farda limpa e engomada, postura na frente das outras pessoas, tirar o polegar do prato, não mostrar o cofrinho... e tantas outras regrinhas de etiqueta que precisamos seguir.
Falo isso agora porque andam dizendo por aí que eu só vivo de farra aqui. Antes fosse. Eu acordo todos os dias às 8h da manhã (ou mais cedo quando precisa) e só volto pra casa depois das 20h. Na quinta-feira já subo a ladeira como se fosse quarta-feira e na sexta eu sou levada até o castelo por entidades superiores do bem que me seguram também durante o dia inteiro que passo geralmente de pé.
Eu só não coloco foto das aulas porque ... er... não sei porque. Porque eu esqueço e sempre tenho tanta coisa pra falar que acabo falando só da diversão. Pois bemmmmmmmm..... Agora eu vou falar só de culinária italiana e vocês vão ter que me engolir.

Essa semana fiz duas aulas de campo, uma pra a Lavazza, que produz café e outra pra uma produtora do queijo Grana Padano. Pra quem tiver interesse, leia o resto, caso contrário pode pular essa parte.
Na Itália a tradição do café expresso é levada a sério. Eles tem a patente do bicho e não largam por nada e tem muito orgulho disso, claro. No Brasil o café expresso é muito conhecido, mas fora do Brasil é mais conhecido ainda, já que também temos nosso cafezinho gostoso, diferente da maioria dos países afora. O café Lavazza -isso não é propaganda. é informação- é a maior empresa que produz apenas café na Itália.
Ouvimos toda a ladainha da história da fábrica e também coisas interessantes sobre o café. Foi quando descobri que a Itália não produz um grão sequer de café. E pior, eles importam a maioria dos grãos do Brasil. Ou seja, uma das coisas que torna a Itália mais famosa, vem do Brasil. Peguei todas as embalagens e não achei nenhum B junto de R.. nada de Brasil, Brasile, Brazil. Niente! Cade os créditos rapaz? Ô senhor que vende café.. bora pedir os créditos pra esse povo. Depois do treinamento fui bater um lero com o senhor treinador, e ele falou que a Itália não produz os grãos, mas importa, seleciona, mistura a outros grãos e torra e por isso na embalagem consta "café expressoa italiano". AHAN!!!! Vai contar história pra boi dormir, vai. Que má administração de nosso café hein. Enfim.. aprendi a fazer café expresso com a pressão disso e daquilo ideal, temperatura, tempo, perfeita densidade da espuma, xícara ideal e todo o bla bla bla. E o capuccino estranho também tá na mão. Sem canela, mas vai assim mesmo porque eles tem o registro né. Vou dizer que é ruim, forte demais e amargo? Eu não. Eu respeito a tradição.
Já a empresa que produz o queijo Grana Padano... hummmm. Delicia.

Antes de falar do queijo, vou contar como funciona o registro, que é muito rígido, dos produtos típicos italianos. Todos têm um registro e se não são produzidos no lugar de origem de registro, pela fábrica de origem ou com autorização da mesma e seguindo todas as normas pra produção do produto, eles não são considerados como tais. Por exemplo a mussarela de búfala é produzida em uma cidadezinha da região Emilia, e qualquer queijo parecido com a mussarela mas não seja produzida lá, não ganha o selo e não é considerada como este queijo. Isso acontece também com todos os vinhos -que tem o D.O.C (denominação de origem controlada)- e com o azeite balsâmico. Com os queijos o registro é o D.O.P. (denominação de origem protegida). Queijo Parmeggiano por exemplo só existe um, produzido perto do rio pó, como o Grana Padano. Mas só um produtor tem a patente e pode dizer que o queijo dele é Parmeggiano. O resto é imitação.
Sabendo disso, vamos ao Grana Padano, que também é o que chamamos no Brasil de "Parmesão". Casca dura, sabor frutado, bota em cima do macarrão.. essas coisas. É super tradicional aqui, e salgado. O preço, pois o sabor é meio adocicado. A visita a fábrica foi ótima. O senhor produtor de queijo é super simples e como a maioria dos italianos, ele ama o que faz. O que dá mais sabor ainda ao queijo.
O Grana Padano é produzido sem química e quase totalmente de forma manual. Basicamente se mistura 1.200 litros de leite e dali saem duas rodas de queijo dessas da foto. As rodas secam, salgam e envelhecem por pelo menos 1 ano e o processo total dura uns 16 meses. Mas os queijos do mercado são sempre mais velhos que isso. No meio de cada etapa vem um selo, uma inspeção, um carimbo, uma marca e no fim a roda tá toda tatuada e com todas as garantias possíveis. No fim, antes de abrir o queijo, ainda é feita uma ultima inspeção quanto ao aroma e densidade do queijo. Com martelinho e agulhinha especiais, claro. Enquanto estávamos lá, abrimos uma roda que tinha mais de 2 anos. Pedacinhos de paraíso. nham.

4 comentários:
ok...vc é uma mulher responsável...agora vamo falar de fofocagi(by gaby) mesmo!!!...eheheh
beijo...
oxente, e tu ficou impressionada com a ausência nos créditos? Eles levaram nosso ouro, o PAU (ainda bem q foi o Brasil), o café, as frutinhas e até o mulheriu está sendo exportado. Mas tem uma coisa boa pra vc. Sempre q olhar p um graozinho de cafe vc pensa em nós por aqui.
Eita!!! Emília tb é cultura, gostei de ver... :)
Making money on the internet is easy in the underground world of [URL=http://www.www.blackhatmoneymaker.com]seo blackhat[/URL], It's not a big surprise if you haven’t heard of it before. Blackhat marketing uses alternative or not-so-known avenues to build an income online.
Postar um comentário