25 setembro 2006

Uma chance pra Milão

<--- Eu vomitando em São Paulo. Ou seria um dos monumentos estranhos de Milão?

Apesar de ter ativado três alarmes e lembretes para levantar antes das 8, só acordei às 9h. Fiz uma nova busca em minhas coisas mas foi em vão. Ao descer o café da manhã já estava encerrado. Mais parece uma lista de lamentações, mas esse é o começo de meu último dia aqui em Milão. Sem saber direito por onde começar, parei na lojinha dos telefones e tentei, mais uma vez em vão, ligar para a Policia. Mas o mau humor deles não me surpreende mais. Continuei a minha jornada e fui esperar o ônibus que vai para Malpensa. Na parada conheci um brasileiro -com pinta de modelo. ui. uma graça- que me disse, na despedida: "Vai ficar tudo bem" e eu acreditei nele. Mas ele não mentiu. Quando cheguei na Polizia do aeroporto, logo logo eles pediram meu nome e ligaram pra alguém. Gritos vão, gritos vêm, a policial grita (sim, pq aqui não se conversa, se GRITA) com o policia. Ela sai da sala, me pedindo pra esperar um pouco. Olhei para o policial (ui) e perguntei, claro que muito nervosa: "É trovatto mio passaporto?", e ele fez sinal afirmativo com a cabeça. Nem acreditei. Ou melhor, eu acreditei sim! E aquela voz lá no fundo que antes me dizia "vc vai encontrar", agora estava satisfeita gritando "eu não disse?". Recebi o passaporte quase chorando, e não encontrei palavras para agradecer aos policiais. Não disse nada além de "Grazie", e meus pensamentos que desejavam tudo de bom pra eles, uma vida feliz, muita saúde, etc. não foram ditos. Mas a partir daí, eu não consegui tirar do pensamento a minha promessa.

Oi Passaporte.

Adeus 100 euros.

Depois de tudo isso, resolvi dar uma chance pra Milão e ir conhecer a Pinacoteca e o centro da cidade. Tomei um banho, coloquei uma roupa alegre e lá fui eu. Desci na estação DUOMO, como indicava em meu guia. A medida que subia as escadas da estação, meus olhos iam se arregalando. Um imenso castelo, com pontas iguais aos castelos de areia que eu fazia quando era pequena, foi surgindo. Era o Duomo. Uma catedral gótica que eu sabia que existia, sabia que estava perto, mas não imaginava o quão perto e o quanto ela é... deslumbrante.

Depois coloco a foto.

O teto é cheio de pontas, e em cada ponta tem uma escultura humana. E não são poucas pontas. Entrei na catedral, depois de ser revistada (que coisa!) e tinha um coro cantando para muuuuuuuuuita gente. Não pude ficar na frente, mas nas costas, meio de ladinho deles, consegui tirar uma foto. Mas o coro... que coisa linda. Acho que se os anjos cantam, devem cantar daquele jeito. Sim, eu estava soltando corações pela cabeça! De repente tudo parecia lindo demais. Até um bando de gente vestida de marrom fazendo "aunnnnn hummmmmmmmmmm bennnediiiitooooooooooooooooo creeeeedoooo dddddddddddeeeeeeeeeeeeeeeeee" para pessoas 10 euros mais pobres -ingresso pra entrar em catedral. tisc- que no fim batiam palmas sem parar. Resultado, fiquei horas por ali, pela catedral e pela Piazza del Duomo, fotografando e observando os Milaneses. Hummm.. que vontade de comer aquele franguinho a milanesa com macarrão e feijão preto. Mas como eu estava dizendo, a Piazza del Duomo fica bem no centro da cidade, e tem cheiro de cocô de pombo. As pessoas parecem que saíram de algum documentário de moda ou seriado da Sony. As roupas parecem ter saído da loja agora e não sei bem diferenciar uma pessoa da outra, que nem acontece quando vejo muito japonês junto. Não consegui ir a Pinacoteca nem nada, mas nada como um pãozinho com queijo e um quarto no albergue e meu passaporte na bolsa.


PS: O velho idiota
Aqui na rua do Albergue funciona uma zona de prostituição. Mas nada que se compare a Roberto Freire, é claro. Aqui é tudo muito discreto. Uma rua tranquila onde de vez em quando tem uma menina de saia na esquina. Hoje pela manhã, a caminho do metrô e com 'aquele' humor, percebo que vários carros estão parados na rua, cada um somente com o motorista, e estão parados em frente a muros ou praças. Estranho. Eu olho com cara de desprezo pra todos, e percebo que tem um VELHO dentro de um desses carros me observando. Pegue olhar de reprovação nele, com direito a balançada de cabeça e 'tisc tisc' -falei igual a Madson-. Sigo meu caminho e alguns metros depois, vejo o velho vindo de novo, fazendo o retorno. Ele se debruça no banco do passageiro e parece querer falar algo, então eu tiro o fone do ouvido e pergunto "QUE?" e ele ao dizer o que queria, me fez entender que queria "dar uma voltita". Não sei dizer exatamente O QUE ele falou, mas ele escutou muita coisa. "VÁ TOMAR NO CU SEU VELHO IDIOTA!!!" foi o que consegui falar na hora. Sei que eu poderia ter sido mais original ou até inteligente e falar algo que provavelmente ele entenderia, como "FILHO DE UMA PUTA", mas ao sair andando ainda gritei "FUCK YOU". Juntem 16 horas de viagem com 6 horas de espera em um aeroporto mais 9 horas perdida em um aeroporto de cidade desconhecida com um passaporte perdido, visto perdido, consulado ineficiente, policia mal humorada, vontade de voltar pra casa e um velho tarado. Isso dá noção do tom em que a minha frase nada simpática em português saiu. E a frase em inglês também.

PS2: Non mi rompere la scatolle
Ao me sentir observada demais, sem nem querer saber por quem, decido sentar longe de um moço que esperava um metro ao meu lado. Não adiantou, pois tendo quase todos os assentos disponíveis, o moço veio sentar coladinho em mim. Começa a falar, falar e falar e eu nada fiz além de arregalar os olhos. Fiquei com dó e resolvi revelar que "Io no capisco Italiano". "AH nO? Speak english? Que lingua parla?" eu resolvi dar papo pra ele. ele falou que trabalhava perto da estação do albergue, enfim. Telefone? Não.. e-mail! E na hora da despedida, num é que o danado veio com o papinho de "não não... aqui na Itália são três beijinhos. Dois nas bochechas e um no meio" MAH VAAAAAAAA. Eu muito esperta, lembrei da coisa mais legal que aprendi nas aulas de italiano e soltei bem alto: "NON MI ROMPERE LA SCATOLE, ragazzo!!!" Mas ao invés de parar de encher o meu saco, o italianinho com espírito de Olinda em época de carnaval, fez foi me corrigir. "Ragazza, non e Scat'ó'le, e sc'á'tola"!! Uno ele, non due!!!". Perdi toda a minha moral nessa hora, mas ainda bem que em pouco tempo a estação dele chegou, e eu ainda fiquei por dentro do sotaque Milanês.
PS3: Até agora está em 89% o nivel de pessoas que, ao saber que sou brasileira, comenta sobre a copa. Surpresa? Pois é, eu também pensei que seria bem pior.

Um comentário:

Anônimo disse...

ahhh copa malamanhenta
:P