25 setembro 2006

Chegando


Milão. A primeira vista.

Cheguei na Itália! Depois de meses ouvindo 'quando vc vai?' e 'ainda tá aqui, mulher?', finalmente eu cheguei na terra da massa. :D Vou contar agora a minha jornada de manca brasileira chegando na europa.

Depois de um vôo confortável, onde todos estavam apertadinhos em poltronas quádruplas ou triplas e eu jogada em três cadeiras só pra mim. Sim, e isso porque fiz uma cena ao encher os olhos falando com os comissários sobre o quanto o meu pé incharia e ficaria roxo, a ponto de cair, se não o colocasse pra cima. Todos que passavam para ir ao banheiro me fuzilavam com o olhar, ao me ver ali, deitadinha super confortável e enrolada em uma manta.
"Todos em seus lugares e com os cintos apertados". Aff.. turbulência. Enjôo. Foi assim o fim do vôo. E o motivo da turbulência foi um maldito furacão que estava de passagem por Lisboa. Até tentei sair na rua, mas estava chovendo demais. Fiquei pelo aeroporto mesmo e terminei conhecendo duas senhoras de Natal, que conhecem minha familia inteira. Ô mundinho pequeno. Fiquei então ali dentro mesmo, entediada no aeroporto e cheguei a dormir em uns bancos de espera.


Milão em Milão

Assim que cheguei não me apressei, e fiquei pensando no que fazer, enquanto conhecia o aeroporto. Eu tinha duas opções. Ligaria pra Florença e avisaria que ao invés de dia 24, iria chegar no dia 21, ou então chamaria um taxi em ficaria em Milão até domingo, em algum hotel no centro da cidade -já que eu tinha visto vários hotéis na internet com um preço bom-.
Depois de conhecer o aeroporto de cabo a rabo -mancando-, resolvi parar em uma das únicas lojas abertas no aeroporto (às 18h) e me disseram que pra conseguir um hotel em Milão, é preciso agendar com muito tempo de antecedência. OK, sem problema. Vou pra Florença então. "Emilia? que Emilia? Ahhh... siimm... Emilia Silva? Como hoje? Nao era dia 24? Ah não não... só venha dia 24 mesmo. Hj não dá". Ok, eu ainda podia deixar as minhas malas no guarda-volume e sair de ônibus, afinal o taxi do aeroporto ao centro iria me custar 70 euros (quase 200 reais). Lá vou eu tentar deixar em uma única bolsa tudo o que eu precisaria em 4 dias. Foi fácil. Mas depois sobrou tanta coisa que não tinha espaço na outra bolsa pra guardar. Desisti. Que idéia essa a minha de depois de horas a fio viajando, cansada e ainda mais manca, ir conhecer a cidade de ônibus. Eu vou é de Taxi mesmo, fico em um hotel e pronto. Mas antes vou procurar pela internet um hotel e ligar pra reservar.
Euros pra internet, euros pras ligações. Tudo em vão. Ou não tem vaga, ou ninguém entende meu italiano e nem fala inglês e nem muito menos tem paciência pra falar devagar. Foi aí então, que no meio dessa agonia, vejo uma carinha tão perdida quanto a minha. É claro que ele era brasileiro. Era o Júnior, que eu já havia visto passando por mim há horas e se ele ainda estava ali, tentando usar esses telefones que hora funcionam, hora não, só podia estar perdido também.
Nos conhecemos, nos falamos, nos identificamos -dois sem rumo- e decidimos deixar as malas no guarda-volume, ele me ajudaria com minhas coisas e iríamos conhecer a cidade a pé mesmo. Que feliz! Ainda bem! Tudo está resolvido. Fomos então, aliviados, ligar pro Brasil. Liguei pra Sérgio, Júnior pro pai e então fomos em direção ao guarda-volume.

Pannnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnn (som de suspense)

"O QUEEEEEEE? Não. Mentira né. É sério?"
E num é que o bendito já estava fechado? Tinha passado um pouco mais de 10 minutos das 22h, e eu ainda com um fiozinho de esperança resolvi bater na porta, mas claro que não adiantou de nada.

Procuramos juntos uma solução e acabamos sentados no chão do aeroporto, depois de tentar ligar pra um hotel brasileiro e outros mais, mas os telefones públicos aqui não cooperaram. Ficamos ali no chão do aeroporto, conversando enquanto eu carregava o notebook, colocava umas músicas e Júnior comia um autêntico isopor brasileiro salgado com sabor de presnto, vulgo salgadinho. Depois de ligar mais uma vez pra hotéis, pra variar sem sucesso, tive a idéia de alugar um carro. Fomos correndo atrás das lojas e todas estavam abertas, mas não tinha sequer um carrinho pra alugar. Perguntei em todas as lojas e não tinha nem pro dia seguinte.
Nos conformamos e fomos então procurar um lugarzinho pra estiriar o esqueleto. Achamos uma tal de "Sala Amica", que não era diferente de nenhum outro corredor com cadeiras que eu já vi. Eu não aguentava mais de cansaço, de mancar, de sono, de raiva e só queria um cantinho escuro e seguro pra dormir. Fiz uma forcinha e fui de novo procurar telefones e achei o numero do albergue de Milão -L´Ostello de la Giuventú- e senti algo parecido com o que se sente ao descer a ladeira da Ribeira em alta velocidade, quando o moço do outro lado da linha me falou que tinha vaga. Tratei de pegar o endereço e AVISEI a Júnior que iríamos pra lá. Ele tentou perguntar alguma coisa, mas eu não deixei. Disse logo que era 19 euros, que iríamos rachar o taxi e pronto. Bora simbora!
No albergue...
-Moço, me veja aí um quarto individual per favore, que eu tô de bode e não quero socializar com gringa nenhuma.-Si, chiaro. Da me il tuo passaporto per favore.-Oxe... kd me passaporte?
AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!!!!!!
-Olhe aqui Junior, tu vai procurar nas tuas coisas, eu vou procurar nas minhas. Eu sei que está em algum lugar nas nossas malas.
O quarto do albergue era ótimo com banheiro dentro só pra mim e uma janela grande de onde eu podia espiar as pessoas no jardim. Dormida boa. Passaporte sumido, mas eu estava tão cansada que dormi e quando acordei, estava na mesma posição que deitei. Delícia!




Um comentário:

Anônimo disse...

ja me ocorreu isso de dormir e acordar na mesma posição mas foi tão pouco!
:o